Dimitri do Valle
De Curitiba
O Instituto Médico Legal (IML) confirmou ontem que a telefonista Luciane Belich, 31 anos, não ingeriu qualquer tipo de substância venenosa. O exame toxicológico deu resultado negativo e não encontrou componentes químicos no organismo da mulher. Luciane morreu dois dias depois de ter sofrido convulsões durante um culto realizado na catedral da Igreja Universal do Reino de Deus, em Curitiba. O pastor e deputado estadual Edson Praczyk (PL), representante da Universal no Estado, acusou que Luciane se suicidou ingerindo veneno. A família culpa a direção da igreja de omissão de socorro.
De acordo com o laudo que apontou a causa da morte de Luciane, houve ‘‘broncopneumonia confluente com bronco aspiração’’. A telefonista perdeu os sentidos durante o culto, realizado no dia 20 de setembro, e teria morrido asfixiada pelo próprio vômito por falta de socorro médico adequado. A família conta que Luciane foi colocada no banheiro da catedral e levada inconsciente, mais de uma hora depois, para o Centro de Triagem Psiquiátrico dentro do porta-malas de um carro. A notícia de que Luciane não cometeu suicídio trouxe alívio para os pais da telefonista.
‘‘Ela (Luciane) não tinha tomado veneno mesmo e nunca tomou remédio nenhum pois tinha medo de morrer. Estou achando que houve realmente omissão de socorro’’, afirmou a secretária Kristina Belich, 54 anos, mão de Luciane. A acusação de que a Universal teve responsabilidade na morte da telefonista foi formalizada na Delegacia de Homicídios pelo pai, o restaurador Rubens Belich, 56 anos.
O delegado titular Fauze Salmen vai ouvir na próxima semana o pastor Flávio Tavares, que promovia o culto na noite em que Luciane passou mal, além da enfermeira Maria Aparecida Bueno, que trabalha na catedral da Universal, e a proprietária do veículo usado para transportar Luciane até o Centro Psiquiátrico. A telefonista faleceu na tarde de 22 de setembro, dois dias depois de ter perdido os sentidos durante o culto. Luciane teve parada respiratória e lesões graves no cérebro. Familiares acreditam que se ela fosse socorrida rapidamente, teria condições de estar viva.
Os pais continuam revoltados com a falta de uma explicação oficial por parte dos pastores da Universal sobre o que aconteceu. ‘‘Ninguém da igreja veio sequer dar os pêsames pela morte da Luciane’’, reclamou Kristina. A mãe não entende como a filha morreu, já que o Quartel Central do Corpo de Bombeiros fica a apenas duas quadras da sede da Universal, na Avenida Sete de Setembro, no centro da cidade. ‘‘Porque não levaram ela? Com uma igreja daquele tamanho, será que não havia condições de chamar uma ambulância?’’, disse Kristina.Laudo do IML confirma que Luciane Belich morreu asfixiada pelo próprio vômito. Ela passou mal durante um culto da igreja
Arquivo FolhaREVOLTARubens Belich, pai de Luciane, segura foto da filha que morreu depois de passar dois dias hospitalizada. Família acusa a Igreja Universal de omissão de socorro. Mesmo tendo convulsões, Luciane foi deixada num banheiro da igreja por mais de uma hora

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