Fiéis se reúnem no Morro Samambaia
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terça-feira, 01 de maio de 2007
Marcos Martins<br> Equipe da Folha 
Curitiba - A tradicional Missa da Paz, realizada ontem em Quatro Barras (Região Metropolitana de Curitiba), reuniu cerca de 150 pessoas no alto do Morro Samambaia. Após 10 anos sendo celebrada no Morro do Anhangava, que fica ao lado, a missa precisou ser transferida de local por questões ambientais. Segundo o Instituto Ambiental do Paraná (IAP), o Anhangava está inserido no Parque Estadual Serra da Baitaca e seu cume é considerado Área de Preservação Permanente. Nas edições anteriores, mais de duas mil pessoas participavam da festa, gerando, segundo o IAP, um forte impacto ambiental para a região.
Mas a mudança não desanimou os fiéis, que logo cedo fizeram fila para percorrer os 1.200 metros até o cume do Samambaia. A organização disponibilizou 200 inscrições, mas nem todas foram preenchidas. E quem foi precisou de muito fôlego para encarar as trilhas. ''É uma subida complicada, às vezes escorregadia, mas tem uma recompensa boa. Vamos nos animando no caminho'', avaliou a costureira Maria Gilza Koltez, que participou da missa pela primeira vez, ao lado do marido e dos filhos.
Nem o padre que comandou a missa escapou da ''aventura''. ''Não vou dizer que não é cansativo subir o morro, mas chegar aqui e encontrar esse povo feliz, com jovens, adultos, idosos e até crianças cantando, nos enche de alegria. É um esforço pela paz que vale a pena'', resume padre Rodinei Thomazella, que pelo segundo ano consecutivo foi responsável pela celebração. Na avaliação dele, não há transtornos por causa da mudança. ''O objetivo é rezar pela paz, seja aqui ou no Anhangava. A oração e o objetivo são os mesmos'', analisou o religioso.
De acordo com o secretário estadual do Meio Ambiente, Rasca Rodrigues, a transferência de local foi positiva. ''Nos últimos meses fizemos várias reuniões para buscar uma saída que contemplasse tanto a parte religiosa, quanto a ambiental, evitando práticas como o depósito de lixo, fogueiras e outras ações que feriam o meio ambiente'', avaliou. Para os próximos anos, ele prevê intervenções nas trilhas, para facilitar o acesso. ''A terra está cedendo em alguns pontos e é possível fazemos contensões para melhorar o acesso'', planeja. Sobre o número reduzido de fiéis, o secretário afirmou que a necessidade de se ampliar as vagas poderá ser analisado. ''Se houver demanda, podemos reconsiderar''.
Mas, se depender dos fiéis, o que poderia ser reconsiderado é a mudança de local. ''Lá era mais gostoso, havia mais espaço e a vista era melhor. Se eu pudesse decidir, escolheria fazer a missa no Anhangava'', opina a estudante Bruna Prohny. A dona de casa Emilia Santos concorda. ''Parece que a união era maior no Anhangava''.


