Fiéis pedem empregos e curas ou agradecem graças recebidas
Especial para a Folha
O carpinteiro Miguel Cardoso, 62 anos, é um dos milhares de devotos de Nossa Senhora de Guadalupe que há 31 anos segue o mesmo ritual de depositar flores aos pés de imagem da santa na capela instalada no estúdio da Rádio Colombo, na Galeria Andrade, em Curitiba. Os romeiros vão até lá para agradecer ou pedir graças. Rezando baixinho, ele não foi o primeiro a chegar à romaria que iniciou na madrugada de ontem, mas tinha esperanças de conseguir emprego. Os biscates estão diminuindo e os valores pagos pelos serviços também, queixou-se. Nem mesmo o frio ou a garoa que caiu pela manhã afastou os fiéis das filas que se formaram nas ruas Presidente Faria e Barão do Rio Branco, embora o movimento tenha sido menor do que nos anos anteriores.
A maioria mora nos municípios da região metropolitana, mas na peregrinação tinha ainda pessoas vindas de Porto Alegre (RS) e Belo Horizonte (MG), quase todas com rosas nas mãos para entregar à padroeira do México e da América Latina. As atitudes eram variadas. Alguns demoravam pouco tempo na capela, localizada no primeiro andar da galeria. Outros permaneciam alguns minutos ajoelhados em frente à imagem. Foi o caso do porteiro Antônio Francisco dos Reis, 38 anos, que há 10 anos vem de Piraquara para agradecer a cura de fortes dores nos joelhos. Eles inchavam muito e o problema só acabou depois que rezei para nossa senhora. Já a moradora de Almirante Tamandaré, Ana Ferreira, 76 anos, há 26 participa da romaria. Neste ano ela pediu emprego para quatro filhos e uma nora.
Mas outras pessoas defendiam que a santa deve ser lembrada todos os dias. É o que pensa a dona de casa Maria Mercedes Traide, 68 anos. Hoje vim agradecer o emprego de vigilante do meu filho, afirmou.
Segundo o organizador da romaria, radialista Ervin Bonkoski, as pessoas começaram a formar filas em frente à galeria na quinta-feira, às 22h45. Diva da Cruz Alves e Anderson Francisco Barbosa, residentes em Almirante Tamandaré, foram os primeiros a chegar.
Com a tradição que envolve a romaria, os vendedores de rosas aproveitaram para aumentar o faturamento. Maria de Oliveira preferiu deixar a banca de venda de milho verde, na Praça Rui Barbosa, aos cuidados de terceiros, para vender flores aos fiéis de Nossa Senhora de Guadalupe. Antes disto, entrou na fila para pedir benção à santa. Ela reclamou da queda da freguesia em 50%, comparado com anos anteriores.Mauro FrassonLongas filas de romeiros se formaram na Rua Barão do Rio BrancoAna Maria Tonial





