A Catedral Metropolitana de Londrina ficou lotada de fiéis para a Missa das Cinzas, realizada no final da manhã de ontem em Londrina. Celebrada pelo monsenhor Bernardo Gaffá e pelo arcebispo dom Orlando Brandes, a cerimônia religiosa marcou o início do período da Quaresma, quando os católicos costumam fazer jejum, orações e penitência em alusão à Paixão de Cristo.
Ao final da missa, padres e ministros passaram cinzas, feitas de folhas queimadas do último Domingo de Ramos, na cabeça dos fiéis, para lembrar que todos voltarão ao pó. ''Na bíblia está escrito que antigamente as cinzas eram usadas para fazer penitência, colocava-se na cabeça ou deitava-se sobre elas'', explicou monsenhor Bernardo, lembrando que o período de 40 dias de preparação para a Páscoa remete aos 40 dias que Jesus passou no deserto. ''A penitência significa dominar os maus desejos e excessos, na nossa vida, como luxúria, bebidas, vaidade, ódio, discriminação, e tudo o que agride a vida humana. A quaresma não é tristeza, mas sim deixar o mal e fazer o bem'', complementou. Missas também foram realizadas em vários igrejas, inclusive no Santuário da Vila Nova.
O arcebispo Dom Orlando lembrou ainda que o período iniciado na Quarta-feira de Cinzas é uma oportunidade para se mudar de vida. ''Quaresma é um pequeno retiro onde a cada dia se medita uma passagem da Paixão de Cristo. É um convite à penitência, ao desapego dos bens e a aprofundarmos a solidariedade. Por isso, fazemos jejum do estômago, mas também dos olhos, dos julgamentos, dos lábios'', afirmou.
Hoje em dia, a Igreja pede que se evite o consumo de carne vermelha apenas na quarta-feira de Cinzas e na sexta-feira Santa. Já a penitência fica a cargo de cada um. ''Nessa época, deixo de comer carne três vezes por semana, e não tomo vinho, que é uma coisa de que eu gosto muito. A penitência, para mim, é uma forma de demonstrar a fé e agradecer a Deus'', contou a dona-de-casa Irene Pereira da Silva, 64 anos, que mora no Jardim Cafezal (Zona Sul), mas vai todas as quartas-feiras à Catedral.
A costureira aposentada Cecília Pinheiro, 61 anos, também veio de um bairro distante da Zona Norte para assistir à celebração. ''Poderia ter ficado em casa ouvindo a missa pelo rádio, e acho que vir até aqui já é um ato de fé'', afirmou. Cecília admite que não costuma fazer penitência e tem dificuldade de deixar de comer carne vermelha por ser casada com um evangélico. ''Mas eu tenho uma bíblia aberta no quarto e sempre que vou lá converso com Deus. Brinco com Ele, às vezes o chamo de Pai, e às vezes de Filho, porque ele é os dois ao mesmo tempo. O mais importante é o que está no coração.''

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