Fiéis fazem loucuras para ver o papa
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domingo, 13 de maio de 2007
Wilhan Santin<br> Enviado especial 
Aparecida- Desde que Bento 16 pisou em solo brasileiro, na última quarta-feira, até a sua partida de volta para Roma na tarde de ontem, o que mais se viu foi uma verdadeira avalanche de gente seguindo o papa por onde quer que ele estivesse. Alguns dos seguidores do sucessor de São Pedro eram apenas curiosos, porém, a grande maioria tinha motivos mais nobres, como pedidos de benção ou a cura de doenças.
E para ver o papa de perto muitos fizeram verdadeiras loucuras. Um exemplo é o argentino de nascimento, mas paranaense de coração, Carlos Hugo Reyes, 59 anos, há 27 morador em Curitiba. Em 25 dias, ele superou pedalando os mais de 400 quilômetros que separam a capital do Paraná de Aparecida (SP) e chegou ao Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida na tarde de sábado, dia 12.
Visivelmente cansado e emocionado, Reyes contou que fez a viagem para agradecer pela cura do Mal de Parkinson. Na bagagem levou dois livros - ''Memórias de um ciclista aventureiro'' e ''A vida é assim'', que esperava dar de presente a Bento XVI. ''Quero entregar os livros a ele, que é o representante da igreja católica, como forma de agradecimento pela minha cura'', relatou.
Na manhã de ontem, há poucos minutos do final da missa de abertura da 5 Conferência do Episcopado da América Latina e do Caribe (5 Celam), celebrada pelo papa, a reportagem da FOLHA encontrou Reyes novamente. Ele pedia aos seguranças que o deixassem se aproximar do altar ou de algum jornalista que pudesse entregar os livros para o Sumo Pontífice.
Outra que fez loucuras para chegar o mais perto possível de Bento XVI foi a aposentada Benedita Costa, 65. Ela saiu da pequena cidade de Areia, na Paraíba, para acompanhar os passos do papa no Estado de São Paulo. Foi uma das primeiras pessoas que chegou ao Mosteiro de São Bento, onde ele ficou hospedado nos dois primeiros dias de visita ao Brasil.
Depois, na sexta-feira, foi para Aparecida. Mais uma vez chegou antes da maioria dos romeiros e conseguiu um lugar privilegiado, o mais perto possível que alguém sem credencial poderia ficar para assistir à missa de ontem.
Na noite de sábado, ela era só alegria. Nem parecia que já estava fora de casa há uma semana e enfrentando uma situação de absoluto desconforto. Para não perder o lugar, Benedita e dezenas de fiéis passaram a noite ao relento, dormindo sobre sacos plásticos. ''Eu não trouxe nem lençol, mas não tem problema, a emoção é demais. Sou a única representante de minha cidade''.
A teleatendente Adriana Futrique, 25, de Curitiba, foi mais uma que passou a noite ao relento. Ela saiu do Paraná com uma comitiva de 40 pessoas e chegou na manhã de sábado a Aparecida; dispensou o conforto do hotel e foi para a frente do altar onde foi celebrada a missa de abertura da 5 Celam. ''Vim buscar uma benção especial'', explicou.
O padre Rosinei Toniette, 28, de Jacarezinho, levou 45 seminaristas de diversas cidades do Norte Pioneiro para ver o papa. Eles chegaram a Aparecida às 21h de sábado. Encontramos o padre procurando, no meio do povo, um bom lugar para dormir com os garotos. ''Viríamos só amanhã, mas antecipamos a viagem para conseguir um lugar melhor'', revelou.


