Curitiba - Às 7 horas da manhã de ontem, quando foram abertas as portas da Igreja Bom Jesus, no Centro de Curitiba, fiéis de Santo Antonio e mulheres ansiosas por fazer um desejo ao santo casamenteiro já faziam fila em frente à paróquia para participar da tradicional distribuição de bolo com imagens de Santo Antonio. Diz a tradição que quem encontra uma imagem do santo dentro de sua fatia de bolo terá seu pedido atendido.
''Estou levando três pedaços, para mim, para minha irmã e para uma amiga. Espero que a gente ache a imagem porque nós três estamos pedindo para casar'', diz a vendedora Mariliane Olkovicz que, junto com a amiga Joana D'arc de Almeida, participou pela primeira vez dessa tradição. ''Eu já sou casada, por isso vou pedir para minha amiga casar também'', contou Joana, reforçando o pedido da amiga.
Realizada há 11 anos, sempre no dia 13 de junho, Dia de Santo Antonio, esse ano a festa começou um dia antes, no domingo, Dia dos Namorados, e estendeu-se até às 20 horas de ontem. Para garantir bolo para todos, a receita teve que ser dobrada. Foram usados 520 quilos de doce de leite, 750 de farinha, 28 de fermento, 1,5 tonelada de açúcar, 25.760 ovos, além de muitos pacotes de confeitos usados para desenhar uma enorme figura de Santo Antonio sobre as quase quatro toneladas de bolo. Dentro, foram colocadas cerca de 7 mil imagens.
Ao todo, 90 pessoas da paróquia trabalharam nos dois dias de festa. Além de servir o bolo, vendido a R$ 2,00 a fatia, outras pessoas se revezavam nas barracas, montadas no pátio da igreja, para a venda de livros bíblicos, flores, estátuas, medalhas e fitas com a imagem do santo casamenteiro. Na entrada, freis também recepcionavam os fiéis, abençoando-os.
Santo Antonio, no entanto, não é apenas esperança para moças solteiras. A devota Jandira Domingues conta que frequenta a igreja há mais de 50 anos e sempre faz seu pedido a Santo Antonio. ''Uma vez minha filha comprou uma chave em uma das barracas, que disseram que era a chave da casa de Santo Antonio, e naquele ano ela conseguiu comprar seu apartamento'', lembra ela, que todo ano pede por saúde.
Apesar da fama de casamenteiro, de acordo com o frei Jaime Spengler, Santo Antonio é, na verdade, o santo dos pobres e das coisas perdidas. Ele nasceu em Lisboa, no ano de 1195 e foi canonizado um ano depois de sua morte, aos 36 anos, em 1.231.

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