Fiéis enfrentaram chuva e vento
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sexta-feira, 01 de maio de 2009
Carolina Gabardo Belo<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Mesmo com tempo nublado e forte garoa, cerca de 70 fiéis enfrentaram, ontem, 1,5 quilometro de subida até o cume do Morro do Samambaia para a tradicional celebração da Missa da Paz. Realizada há 58 anos pela comunidade de Quatro Barras (Região Metropolitana de Curitiba), a missa é uma prova de sacrifício dos participantes em prol da paz e do trabalho.
Na celebração deste ano eram esperadas 300 pessoas. No entanto, o mau tempo e os fortes ventos fizeram com que poucos subissem o Samambaia e a duração missa fosse reduzida. No caminho era preciso cuidado com o piso escorregadio. Em média, o percurso era realizado em 90 minutos.
Os que participaram da celebração tiveram um momento de reflexão. ''Parece que subir um morro como esse não é nada. Vale a pena rezar pela paz. Não temos mais a guerra de quando começou (a tradição), mas temos as drogas, a violência, a arrogância e a falta de afeto'', afirmou o padre Rodinei Thomazella, responsável pela celebração.
A missa em homenagem a São José Operário também lembrou as relações de trabalho. O padre pediu pelos desempregados e trabalhadores. ''Oramos pela justiça e dignidade no trabalho'', completou.
A subida do morro para a celebração da Missa da Paz faz parte de uma tradição iniciada pelas famílias de imigrantes italianos que moravam no distrito de Borda do Campo. Do alto do Anhangava, eles pediam proteção aos seus conterrâneos, que ao final da Segunda Guerra Mundial sofriam com a miséria. Há três anos, por determinação do Instituto Ambiental do Paraná (IAP), a missa foi transferida para o Morro do Samambaia, com o objetivo de reduzir o impacto ambiental.
Há quase uma década a aposentada Maria Gerônima de Oliveira, 69, faz questão de participar acompanhada da família. A tradição começou com os filhos, que sempre iam ao Morro do Samambaia. ''Eles vinham caminhar e na volta eu até jogava a toalha fora, de tão suja que ficava. Um dia eles me chamaram e eu me acostumei'', conta. Neste ano, dez pessoas, entre filhos e netos, foram ao alto do morro com Maria Gerônima. ''Enquanto eu puder vir, com 70, 80 anos, eu venho.''


