Fiéis confiam em pena mais branda
Deus tocou minha alma e lavou meus pecados, conta o ex-pistoleiro Jacir Vaz da Silva, 29 anos. Condenado há 14 anos pelo homicídio de um lavrador, Jacir se diz agora um evangélico professo, que abandonou dois revólveres calibre 38 e uma faca pela palavra divina.
Seguidor da Congregação Cristã do Brasil - entidade evangélica com 400 seguidores no Paraná -, Jacir está preso há quatro anos na Prisão Provisória de Curitiba. Descobri a palavra de Deus faz poucos meses, mas foi tempo suficiente para tirar o peso da morte de meu coração, fazendo com que me tornasse seguidor de Jesus Cristo, diz, com uma das mãos sobre a Bíblia.
Pistoleiro por nove anos, Jacir lembra que cuidou de dezenas de fazendas no Norte do Estado, onde a vida de um invasor rendia R$ 1 mil ao matador. Para cuidar das terras, usava facas ou revólveres, deixando os feridos estirados no chão até a morte. Mas assassinato tenho apenas um, que provocou a minha prisão, assegura.
Jacir afirma que se sente abençoado por Deus. Há três meses, ele tocou minha alma e me mostrou que posso ser recuperado, diz. Ele conta que antes de ir para a cadeia era católico, mas não praticante. Minha família me trouxe a palavra do ancião, que me converteu ao Evangelho.
O ex-pistoleiro diz que pretende ser o exemplo da fé evangélica. Quero ser mostrado pelos anciãos como exemplo da transformação de Deus, diz Jacir, que em julho será batizado. A cerimônia deve contar com a presença da família e de outros seguidores. Sei que minha mudança vai servir para guiar outras almas desgarradas do rebanho do Senhor, acredita.
Jacir afirma estar ansioso em poder ser o exemplo da fé da Congregação Cristã do Brasil. No entanto, o pistoleiro deixa escapar que acredita que, indiretamente, sua conversão pode ajudar quando for de novo à Justiça. O apego à fé não pesa na hora da condicional, mas quem segue a Jesus sempre tem bom comportamento.
Pelo bom comportamento, o preso Josué Gonçalves Cheski, condenado por assassinato, pretende sair. Seguidor da Assembléia de Deus, ele acredita que o benefício da religião aparece aos olhos dos juízes. Os pastores sempre apóiam os presos nos julgamentos. Soube até que um preso conseguiu um depoimento de um pastor, diz.
No entanto, Josué sabe que juridicamente a conversão não interfere no abrandamento da pena. Quem sabe, pese aos olhos do juiz, comenta. Mas, no meu caso, realmente me converti e sou um fiel, diz. Josué trabalha na prisão exercendo uma função que se assemelha a de um auxiliar da capela, organizando os músicos ou colocando as toalhas nas mesas. É uma atividade que me preenche espiritualmente e me permite me manter em tranquilidade, afirma.(I.R.)





