Érika Pelegrino, Luciana Pombo e Lucinéia Parra
Na Catedral Metropolitana de Londrina, os preparativos para a celebração do Corpus Christi começaram na madrugada de ontem, por volta de 3h30, quando cerca de 500 pessoas da comunidade católica passaram a cobrir algumas ruas da área central por onde a procissão passaria horas depois. Neide Veiga, 62 anos, integrante do grupo da catequese, e Janice Lemos, 16 anos, integrante do grupo de adolescentes, estavam entre estes fiéis. Os quase 50 anos de diferença de idade não existiam, pelo menos durante a realização do trabalho. Tanto Janice quanto Neide tinham o mesmo sentimento: ‘‘O trabalho para Jesus’’.
‘‘Levantar de madrugada não foi problema algum. Fiz isto com muita alegria no coração. Foi um trabalho que fiz por Jesus, que cada vez mais é o Senhor da minha vida’’, disse Janice minutos antes de começar a missa. Às nove e meia da manhã tudo estava pronto. A correria cessou e a festa começou com cânticos de louvor, orações e mensagens de solidariedade do arcebispo dom Albano Cavallin. Às 11 horas, cerca de quatro mil pessoas, segundo o monsenhor Bernardo Gafá, saíram em procissão acompanhando os tapetes feitos nas alamedas Manoel Ribas, Miguel Blasi e nas ruas Padre Bernardo Greiss e Padre Eugênio Herte.
Os enfeites foram feitos de materiais singelos - palha de arroz, pó de serra, pétalas de flores, sal grosso pintado, tampinhas de garrafa , entre outros -, mas causaram um efeito visual bonito. No chão, por onde seguiu a procissão, puderam ser lidas mensagens de amor, de trabalho e Eucaristia. No fim foram distribuídos pães simbolizando o alimento de Jesus. Além da Catedral, outras paróquias de Londrina também celebraram o Corpus Christi com missas e procissões.
Em Maringá, cerca de mil pessoas acompanharam ontem de manhã a procissão de Corpus Christi, organizada pela Igreja Cristo Ressuscitado. Os fiéis caminharam cerca de 400 metros por ruas decoradas. Este ano, além dos enfeites, também foram colocados nas ruas cerca de 400 pacotes com roupas e cobertores doados pela comunidade. Alguns alimentos não perecíveis embalados em sacos plásticos e de papelão também foram exibidos na decoração das ruas. Tanto as roupas quanto os cobertores e alimentos serão doados ao Albergue de Maringá, Recanto da Esperança e famílias carentes cadastradas pela igreja.
Tradição O agricultor João Trezup, 68 anos, e sua família acordaram cedo para iniciar os preparativos para a Festa de Corpus Christi, na Colônia Muricy, na região de Curitiba. Às seis horas, a serragem - molhada com água e tinta e distribuída em potes por cores - começou a ser colocada sobre os desenhos feitos na rua. Para dar um toque natural, além da serragem foram utilizados cedro moído e pétalas de rosas. ‘‘O objetivo é deixar tudo bonito para a procissão, que lembra a paixão de Cristo’’, afirmou.
Para a família Trezup, a festa da Eucaristia é um momento importante para a comunhão entre os moradores da colônia. ‘‘Esta é uma tradição respeitada por todos e deverá ser mantida por muitos anos’’, declarou o agricultor. Há 35 anos, ele e a família auxiliam nos trabalhos da Paróquia Sagrado Coração de Jesus. A Colônia Muricy é formada por cerca de mil famílias de descendentes de poloneses. O município vive basicamente da agricutura e tem como ponto forte a hortifruticultura. Pensando nesta tradição agrícola, os moradores sempre abençoam as hortas após o término da procissão. ‘‘Cada um pega um pouco da serragem e de pétalas de rosas para levar à sua lavoura’’, contou a comerciante Jacinta Jarek. ‘‘O povo acredita que por onde passou o padre com o Santíssimo Sacramento, tem bençãos dos céus’’. Jacinta também ajudou a enfeitar a rua. Ela tem noções de decoração e foi responsável por diversos desenhos. ‘‘Cada um ajuda como pode e todos se envolvem no trabalho de preparação para a procissão’’, afirmou.

mockup