'Ficava chorando na chuva'
A rotina de caminhadas na poeira e na lama para estudar, durante a infância e a adolescência, estão garantindo uma vida melhor a profissionais de Assaí que também enfrentaram dificuldades de transporte. Moradora da Zona Rural, a pedagoga Vera Lucia Miranda dos Santos tem uma história de superação das dificuldades pela vontade de estudar.
Aos 17 anos, com a oitava série completa, ela abandonou a escola para casar-se. Onze anos depois, já mãe de dois meninos, voltou à rotina de longos períodos no transporte escolar para terminar o Ensino Médio. ''Ia na Kombi junto com meus filhos'', contou ela, que concluiu a faculdade graças ao apoio do marido que a levava de moto. ''Agora, estudo para o concurso de professores e quero fazer pós-graduação.''
José Charnoski Neto, 34, chegava a andar nove quilômetros a pé, nos dias de chuva, para conseguir pegar o ônibus que levava à escola em Assaí. A partir dos 13 anos, enfrentou sozinho, de noite, o caminho até à escola, que conciliava com o trabalho na colheita do algodão. Apesar das dificuldades, concluiu o curso técnico de contabilidade.
A professora Dalva Cristina de Melo Maciel levava o uniforme do colégio em um saco plástico para trocar no banheiro da escola. ''Caminhava 40 minutos na estrada de terra. Não tinha como ficar com a mesma roupa'', contou ela, que terminou a oitava série com apenas mais um colega, na escola de Pau D'Alho. ''Todos os outros desistiram.''
Nos dias de chuva, já no Ensino Médio em Assaí, a kombi não tinha como levá-la para casa. ''Ficava chorando na esquina, porque não tinha como ir embora. A sorte é que uma amiga me acolhia'', disse Dalva, para quem o incentivo da família foi fundamental para completar a jornada. (C.A.)





