Ficar conectado o tempo todo é uma necessidade
Segundo a psicóloga Nione Torres, no entanto, pode ser considerada uma pessoa com nomofobia apenas quem apresenta um diagnóstico preciso da síndrome. De acordo com pesquisas na área, pessoas que já apresentam comportamento de dependência emocional, de acordo com sua vulnerabilidade e eventos de vida, estão mais propensas a desenvolver também dependência a estas tecnologias.
Aqueles que, no conjunto, apresentam comportamentos como não conseguir passar alguns minutos sem dar uma olhada no celular (não importando onde estejam), podem ter a síndrome da nomofobia. São pessoas que também abandonam tudo o que estão fazendo - até relações sexuais - para atender ao telefone. E, se esquecem o aparelho em casa, voltam para buscar independentemente de onde esteja. ''Quando perdem o celular, sentem as mesmas reações vertiginosas, por exemplo, que as pessoas sentem quando perdem a carteira ou a bolsa'', completa a psicóloga.
Mas perceber quando essas tecnologias de comunicação tornaram-se imprescindíveis na vida de uma pessoa pode não ser tão fácil. ''Como qualquer outro transtorno da ansiedade, a pessoa só percebe esta dependência quando ela passa a comprometer ou interferir em áreas da sua vida. Na verdade, a pessoa pode ter dificuldade de perceber, até porque virou necessidade da vida moderna ficar conectado o tempo todo'', alerta Nione.
Para o corretor de café Carlos Monteiro, na sua área de trabalho, não é difícil as pessoas desenvolverem a ''síndrome da modernidade'' devido à constante corrida pelos negócios. ''Na área comercial, você fica no afã de fazer negócios, ansioso, querendo ser achado. Se a pessoa não se vigiar, não é difícil (desenvolver a nomofobia), não'', opina. ''O aparelho celular ou a internet faz parte da vida, como a eletricidade'', define, por sua vez, a técnica Tânia Daniel. ''Muitas pessoas podem já ter a nomofobia, mas nem sabem da existência da síndrome'', completa. (M.F.C.)





