Apesar de grave, a fibrose cística também conhecida como Mucoviscidose , é pouco conhecida e subdiagnosticada no País. Para ter idéia do problema, em Londrina existem apenas cinco casos da doença, quando o número real deveria estar entre 70 a 80 casos, já que no Brasil a incidência da doença é de um para cada 10 mil nascimentos. ''Isso evidencia um erro de diagnótico. A fibrose cística simula muita doença, às vezes a criança vai a óbito e nem se fez o diagnóstico'', explicou o pneumologista do Hospital das Clínicas de Curitiba, Carlos Antônio Riad, que esteve ontem na cidade para uma palestra sobre a doença, na Associação Médica de Londrina.
As dificuldades no diagnóstico deveriam ter diminuido desde outubro do ano passado, quando o Ministério da Saúde baixou uma portaria determinando a inclusão da fibrose cística no resultado do teste do pezinho. Riad afirma que de maneira geral aumentaram os casos da doença desde então.
A fibrose cística é uma doença genética hereditária que ocorre devido a uma mutação gênica no cromossomo 7. Para que ocorra, é necessário que os pais sejam portadores do gene com a mutação. Como o gene é recessivo, os pais não apresentam os sintomas. Pais portadores do gene têm 25% de chance de ter um filho fibrocístico a cada gestação. A gravidade da doença depende do tipo de mutação do gene, mas, segundo Riad, a maioria dos casos é grave.
Os sintomas podem ser respiratórios, com a manifestação de uma bronquite crônica; gastro-intestinais, em que o portador apresenta esteatorréia (perda de gordura nas fezes e aumento no número de evacuações); e no sistema reprodutor 98% dos pacientes do sexo masculino apresentam azoospermia (ausência de espermatozóide), o que os tormam inférteis. As mulheres também apresentam dificuldades para engravidar. Uma outra característica é a síndrome da perda de sal, que provoca desidratação sem a presença de diarréia ou vômito.''O suor desses pacientes têm muito sal'', exemplificou o pneumologista.
Um fibrocístico precisa ''tratar todo dia, toda hora, a vida inteira'', enumerou Riad. Ele explicou que a alimentação precisa ser hipercalórica, é necessário fazer fisioterapia respiratória, inalação frequente, tomar enzimas pancreáticas e medicamentos. Bem cuidado, o paciente leva uma vida normal. Caso contrário, a expectativa de vida cai, ''quando não se tinha tratamento, em 1940, a expectativa de vida era de um ano'', lembrou o médico. Isso reforça a importância de se fazer o diagnóstico correto e precoce da doença.
Graças ao trabalho da Associação Paranaense de Fibrose Cística, o paciente com mucoviscidose tem à disposição 36 remédios distribuídos gratuitamente pelo Ministério da Saúde. O tratamento é feito pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Sara Sampaio, vice-presidente da associação, afirma que o custo de um paciente chega a R$ 12 mil por mês.

mockup