Álvaro OrsiBeneficiadosArquipélago abrange áreas de São Jorge do Patrocínio, Altônia, Vila Alta e IcaraímaO presidente Fernando Henrique Cardoso deve assinar sábado o decreto que cria o Parque Nacional de Ilha Grande, no Rio Paraná. A assinatura será feita durante a solenidade de abertura dos primeiros Jogos Mundiais da Natureza, em Foz do Iguaçu.
Segundo o prefeito de São Jorge do Patrocínio (73 quilômetros a oeste de Umuarama), Claúdio Palozi (PSDB), a criação do parque nacional será um passo decisivo para a preservação das ilhas e várzeas do ‘‘Paranazão’’. Palozi preside o Coripa, um consórcio intermunicipal que administra a preservação do arquipélago nos municípicios de São Jorge do Patrocínio, Altônia, Vila Alta e Icaraíma.
O Paraná tem apenas dois parques nacionais, o do Superagui, no litoral, e o Parque Iguaçu, em Foz do Iguaçu. O Parque Nacional de Ilha Grande vai abranger cerca de 100 mil hectares de ilhas e várzeas do Paranazão, numa extensão de aproximadamente 130 quilômetros entre Guaíra e Icaraíma. Segundo Palozi, o leito do rio não será incluído na área do parque para não inviabilizar o transporte fluvial de cargas.
Em compensação, a elevação de ilhas e várzeas à condição de áreas de proteção federal vai resolver muitos problemas jurídicos, como os processos movidos por alguns pecuaristas que insistem em criar gado no arquipélago. A pecuária será definitivamente proibida, enquanto outras atividades vão depender de um zoneamento a ser feito no prazo de um ano depois de criado o parque.
Outra questão de fácil solução é a desocupação de terras indenizáveis. Segundo Palozi, um estudo preliminar do Incra aponta a existência de cerca de 5 mil hectares nas ilhas e de 10 mil hectares nas várzeas, cujos donos terão que ser indenizados pelo governo.
Dono de um ecossistema único que abriga muitas plantas e animais em extinção, o arquipélago de Ilha Grande chamou a atenção dos ambientalistas no início dos anos 90, depois que a Folha publicou reportagens denunciando o avanço da pecuária e o consequente prejuízo. Até então, apenas os fiscais do antigo ITCF, hoje Instituto Ambiental do Paraná (IAP) tentavam conter a devastação da reserva.

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