Quando o assunto é tradição oriental, a palavra-chave é delicadeza. Foi o que se viu ontem durante o 19º Festival de Dança Japonesa. Nos movimentos suaves das ''bailarinas'', a maioria senhoras da terceira idade, as coreografias acompanhavam os mínimos detalhes das letras das músicas. ''É preciso saber mesmo o que a música está dizendo'', contou a professora de dança Sumiko Murakami, organizadora do evento desde a primeira edição.
Além das alunas da Associação Murakami Buyo, o festival também teve a participação de outros grupos de dança de Londrina, Ibiporã, Rolândia e Assaí. Ao todo foram apresentados 90 números, incluindo alguns cantores de karokê. Para a platéia atenta formada por apreciadores da dança e familiares a tarde ainda teve sorteio de brindes e jantar com quitutes japoneses.
Aos sete anos, a pequena Daniela Sayuri Izumi é a caçulinha da turma de dança. Frequenta as aulas há dois anos e não perde um ensaio. ''Nem mesmo quando ela está doente'', disse a professora Sumiko. ''Este ano precisei dar aulas na hora do almoço para a Sayuri, que não queria perder os ensaios, mas tinha que ir à escola normal'', completou. ''Antigamente tínhamos mais crianças nas aulas, mas por causa dos dekasseguis, muitas meninas vão pequenas com os pais para o Japão'', explicou Sumiko, que se dedica à dança há 31 anos.
De acordo com Tieco Hirota, outra aluna da Associação Murakami, ''a dança não tem idade, porque tem meninas de 7 a senhoras de 90 anos aprendendo e se apresentando''. Ontem, as apresentações se dividiram entre folclóricas, antigas e modernas. Mas não se iluda, mesmo a mais ''moderna'' das danças ainda é apresentada com bailarinas de quimonos e maquiagem branquíssima no rosto. Tudo como manda o figurino oriental.

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