Festas de vestibulandos deixam cidade suja
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terça-feira, 13 de janeiro de 2004
Célia Guerra<br>Reportagem Local 
Muitos panfletos, garrafas vazias e copos plásticos esparramados pelas ruas. Esse era o cenário em alguns pontos de Londrina ontem pela manhã. Indignados, vizinhos de bares retiravam os entulhos deixados na frente de suas casas. A reclamação era única: ''é o resultado das festas do vestibular''.
Elinton Bembem, proprietário de uma loja de produtos veterinários na Rua João Cândido (Área Central), disse que contratou uma faxineira para auxiliar os funcionários na limpeza. ''Com essa sujeira como é que os clientes vão entrar?'', questionou. Ele disse que a reclamação com a bagunça do bar é antiga, mas a situação se agrava nos períodos de vestibular. Além do lixo, ontem, limparam até mesmo fezes humanas. ''Eles fazem de tudo'', reclamou.
Na casa ao lado do bar, a doméstica Creuza Araújo Lins disse ter tirado ''milhares'' de garrafas do jardim. Segundo ela, seu patrão mandou instalar ponteiras de ferro nas grades do muro, no ano passado. ''Eles sentavam aqui e arrebentavam tudo'', afirmou.
Na Avenida Higienópolis, no trecho do Lago Igapó até a rotatória da Avenida Madre Leônia, a sujeira era ainda maior. O lixo se esparramava para além da frente dos bares. Era possível ver pontos alternativos de venda como quiosques de bebidas desmontados nas calçadas. O chaveiro Dilan Ferreira Gama já havia varrido sua calçada e reclamava que os panfletos com informações de festas agravavam ainda mais a sujeira. Até mesmo peças mais ousadas, como calcinhas, foram encontrada pelos funcionários da empresa Ecosystem, encarregados da varrição. O grupo de seis varredores previa que a limpeza do trecho duraria mais de duas horas.
O presidente da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização, Wilson Sella, disse que haviam montado um esquema especial de limpeza da ruas. ''Não imaginávamos esse volume de sujeira'', admitiu. Ele disse que ainda ontem fiscais do órgão estariam notificando os proprietários dos bares para que ''organizassem a bagunça''. Para Sella, o excesso de lixo nas ruas esbarra ainda ''num processo de educação da cidade e dos seus moradores''.
Segundo a assessoria da CMTU, além dos locais citados pela Folha, outros pontos críticos de excesso de lixo foram constatados no Zerão, no calçadão da avenida Paraná (centro), e na avenida Saul Elkind (Zona Norte). Sella destacou que os sacos com lixo não deveriam ser colocados nas ruas após a passagem do caminhão. ''Os donos dos bares deveriam guardar esse material até o próximo dia de coleta''. Ele ressaltou também que a lei estabelece responsabilidade de recolhimento do lixo pela prefeitura para volumes até 100 litros e, acima disso, compete ao proprietário encontrar a destinação adequada do material.
Sella destacou ainda que iria intensificar a fiscalização do funcionamento de quiosques. ''O trabalho de venda ambulante só pode ser feito mediante autorização da CMTU'', explicou. A multa, segundo ele, é de 120 UFIRs e dobra em caso de reincidência.


