Festa reúne 1,5 mil fiéis na fronteira
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quinta-feira, 17 de abril de 1997
Valmir Denardim Sucursal de Foz do Iguaçu 
Ney de SouzaEm sinal de respeito, todos deixam o calçado na porta do temploA comunidade árabe de Foz do Iguaçu, a maior do Paraná e segunda maior do País, com cerca de 12 mil integrantes, celebrou ontem a Eid Al-Adha (Festa do Sacrifício). Considerada um dos principais rituais da religião islâmica, a comemoração reuniu cerca de 1.500 pessoas na mesquita da cidade.
A Festa do Sacrifício relembra dois acontecimentos marcantes do islamismo. O primeiro é o episódio no qual, segundo a tradição, Deus teria testado a fé de Abraão. Depois de pedir que oferecesse em sacrifício seu filho Ismael, e diante da aceitação de Abraão, Deus teria enviado um anjo, que mostrou a seu servo um carneiro. Abraão então imolou o animal e poupou seu filho.
O segundo ponto é a peregrinação anual à cidade de Meca, na Arábia Saudita. Um dos preceitos da religião manda que todo fiel deve visitar a cidade, considerada sagrada pelo islamismo, pelo menos uma vez na vida. Meca recebe anualmente entre 2 milhões e 3 milhões de peregrinos. O islamismo é a religião que mais cresce no mundo e atualmente reúne 850 milhões de fiéis.
TradiçãoMuçulmanos saem da mesquita após a celebração comandada pelo xeque Mahmoud Baran
Iniciada às 7h30, a celebração da Festa do Sacrifício durou toda a manhã de ontem e foi comandada pelo xeque Mahmoud Badran, líder espiritual da comunidade árabe de Foz do Iguaçu. Enquanto Badran fazia a leitura do Corão, o livro sagrado do islamismo, os fiéis permaneceram curvados até o chão da mesquita e voltados para Meca.
Com a cabeça coberta por lenços, as mulheres assistiram à pregação separadas dos homens, em uma espécie de mezanino. Em sinal de respeito, todos deixaram o calçado na porta do templo.
Após as celebrações da mesquita, foram sacrificados 40 carneiros e quatro bois em um sítio perto da cidade. A carne dos animais - que samou mais de 1.500 quilos - foi distribuída em favelas e entidades assistenciais.
A Festa do Sacrifício é comemorada por muçulmanos em todo o mundo e acontece em data móvel - 70 dias após o Ramadan (nono mês do calendário muçulmano, que é dedicado à prática do jejum). Fundado pelo profeta Maomé (570 d.C. - 632), o islamismo serve como base política e cultural a seus seguidores.


