Transferida às pressas após reclamações de moradores do Distrito Espírito Santo (Zona Sul de Londrina), uma festa rave acabou reunindo cerca de 1,5 mil pessoas numa chácara da Zona Leste da cidade, ontem. Até o final da tarde, nenhum incidente havia sido registrado dentro do evento. Do lado de fora, foram apreendidas drogas e uma pistola escondida no motor de um automóvel.
A arma foi encontrada pela Polícia Militar (PM), durante revista feita pela manhã - a festa começou às 8 horas. Um rapaz de 28 anos foi preso. À tarde, a reportagem acompanhou o momento em que os próprios organizadores do evento barraram três jovens que tentavam entrar com cinco comprimidos de ecstasy. A droga, escondida na cueca de um deles, custaria em torno de R$ 300,00. Outra dupla foi expulsa da festa porque estaria consumindo maconha.
A PM também montou uma blitz na estrada de acesso ao local. Em três horas, foram apreendidos dois carros e 10 motocicletas com motoristas sem habilitação ou com licenciamento vencido. Um deles tinha 17 anos. ''A moto é do meu pai. Eu só ia dar uma olhada, nem tenho dinheiro para entrar'', comentou o rapaz.
O proprietário da chácara, que preferiu não se identificar, disse que todos os frequentadores tiveram que passar por um detector de metais e apresentar documentos. ''Menor, aqui, só se os pais entrarem junto'', garantiu, frisando também que o barulho não traria incômodo porque a chácara fica em local isolado.
Um dos organizadores da rave, Thiago Campos, admitiu que a festa foi realizada sem alvará porque o documento não foi liberado a tempo. ''Tentaram dificultar de toda forma, mas tínhamos um compromisso, 12 DJs contratados, metade do povo era de fora. Já recolhemos R$ 2,5 mil de ISS (imposto municipal) e se preciso vamos pagar multa'', afirmou.
Segundo ele, o público poderia chegar a 5 mil pessoas se não fosse o imprevisto. Conforme a FOLHA noticiou anteontem, moradores do Espírito Santo entregaram um abaixo-assinado aos órgãos competentes para impedir a realização do evento. Eles alegaram temer barulho, ocorrências violentas e mortalidade de aves por estresse.
Um grupo de estudantes de Bandeirantes (34 km a leste de Cornélio Procópio), que participou da rave, reclamou do preconceito da sociedade contra esse tipo de festa. ''É coisa de gente sem cultura. Se não curtem, tudo bem, mas deixem os jovens aproveitarem a vida. Droga rola em qualquer tipo de festa, até em show sertanejo.''

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