FESTA NO ARRAIAL - São João traz quadrilha e quentão para o Sul
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terça-feira, 20 de junho de 2006
Flora Guedes<br> Equipe da Folha 
Curitiba Pensou em São João, vem logo à cabeça imagens da festança: céu estrelado, forró, quadrilha, trajes de matuto, fogueira, fogos de artifício, brincadeiras e gastronomia típica. A lista de delícias vai de milho cozido, canjica, cuscuz e bolo de fubá a quentão, pinhão cozido e pé-de-moleque. No Nordeste, as tradições juninas acontecem durante o mês inteiro e o 24 de junho virou até feriado. Uma das festas populares mais aguardadas do ano, o São João tem atrativos suficientes para contagiar todos os cantos do País.
É verdade que não se vê muito entusiasmo em qualquer esquina da cidade, ainda mais se tratando de ano de Copa do Mundo, mas ao se lançar um olhar mais minucioso, é possível encontrar pistas de que o curitibano não esqueceu do São João. Além do comércio, a festa junina se mantém viva nas escolas, clubes, eventos comunitários e igrejas.
Nos colégios, a data é festejada na sua versão mais tradicional, com barraquinhas de comidas típicas, brincadeiras e apresentação de quadrilhas, trazendo os integrantes vestidos de caipiras. ''Acho estranho usar a roupa e o chapéu, mas gosto da dança'', disse Stephanie Luz, 7 anos, enquanto participava do ensaio da quadrilha dos alunos da segunda série do Colégio Bom Jesus Internacional (BJI).
Lá, a criançada aprendeu os passos nas aulas animadas de Educação Física. Ao ouvir gritos do professor como ''Olha a cobra!... É mentira'' e ''Olha a Chuva!'', os alunos reagiram pulando, balançando as mãos e fazendo círculos. No sábado de São João acontece na escola o ''Arraiá do Internacioná'' com diversas brincadeiras, como pescaria, boca-do-palhaço, argola, tomba-latas e correio-elegante. ''É sempre com muito entusiasmo que as famílias vêm à escola participar desse evento. Além disso, no mês de junho os professores realizam atividades e projetos com seus alunos enfocando a cultura junina'', informou a gestora educacional do BJI, Patrícia Dias.
Para a família comemorar junta, uma opção está nas festas promovidas por clubes e casas de shows da cidade. Alguns clubes organizam eventos para o dia 24, outros anteciparam ou deixaram para julho. O Clube Curitibano, por exemplo, aguarda mais de 3 mil pessoas, entre associados e convidados, para se divertirem com a programação que oferece venda de comidas, brincadeiras, fazendinha com pôneis e atrações musicais, do forró ao sertanejo. Já o Espaço Calamengau talvez o único que organize festa junina na cidade promove festival de forró até o dia do aniversário da casa, em 1 de julho.
''Aqui a festa não é tão comemorada quanto é no Nordeste. A maioria das pessoas têm vergonha de se vestir de matuto, por exemplo. Mas vejo que no salão algumas até improvisam uma quadrilha e costumes de comer quentão, pinhão e pratos à base de milho já foram incorporados pelo curitibano'', opina o músico Ceará, proprietário do Calamengau. ''Acho que o poder público poderia investir mais em cultura e em festas populares. Tive vontade de fazer uma evento de rua, este ano, mas me faltou verba para isso. Fica para o ano que vem'', promete.
Uma exposição sobre Festas Juninas está em cartaz na Aldeia da Solidariedade (fone 41 3901-5195), em Araucária, Região Metropolitana de Curitiba. A mostra acontece até o final do mês e informa as tradições da época, como as homenagens a Santo Antônio, São Pedro e São João.


