Festa na Vila Nova atrai milhares
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quarta-feira, 12 de outubro de 2005
Vanessa Navarro<br>Reportagem Local 
O fenômeno nosso de cada ano se repete: enquanto a maioria das ruas londrinenses fica deserta, milhares de fiéis vindos de todos os bairros e de outros municípios disputam cada centímetro do Santuário de Nossa Senhora Aparecida, na Vila Nova (Área Central). Ontem, no dia dedicado à santa mais querida pelos brasileiros, qualquer sacrifício era válido para os devotos.
''Hoje resolvi vir à pé da minha casa, no Jardim San Remo (Zona Oeste). O sol está castigando, mas não dizem que a gente tem que fazer sacrifício para pagar os pecados?'', brincou Giácomo Emílio Possati, um católico fervoroso de 94 anos, enquanto esperava em frente à igreja a oportunidade de assistir à missa das 10h30, celebrada pelo arcebispo de Londrina dom Albano Cavallin. ''Olha aí, parece que agora vai dar. Me deixa ir senão não pego lugar'', disse, perdendo-se no meio da massa.
Já saindo da quarta missa do dia, a comerciante Maria Aparecida Lopes, 54 anos, reclamou do tumulto, mas disse que não perde uma festa de Nossa Senhora Aparecida há 13 anos. ''Ela está em tudo que eu faço. Durante a gravidez, tive toxoplasmose e arritmia cardíaca, ninguém queria fazer meu pré-natal. Entreguei tudo nas mãos da santa e minha filha nasceu e cresceu linda'', testemunhou. Aldenora Cornejo, 73 anos, ainda está à espera do milagre pedido. ''Perdi a vista, mas tenho fé que Nossa Senhora vai ajudar''.
A média de fiéis em cada missa - foram nove, das 5 horas da manhã até às 18 horas - foi estimada em cerca de 1,5 mil pelo pároco do santuário, Valdecir Mayer Molinari. Outras centenas de pessoas participaram da tradicional benção de veículos, ao meio-dia. O padre comentou que a Igreja vem tentando convencer os fiéis a fazerem suas homenagens à padroeira ao longo do ano, para evitar tanto tumulto no dia 12 de outubro, mas a tarefa parece impossível. ''Acho que essa celebração já está na alma do povo brasileiro'', justificou.
Como sempre, a festa da padroeira transbordou para a praça defronte ao santuário e por um bom pedaço da tradicional Vila Nova. Barracas de comes, bebes, brinquedos e artigos religiosos foram um atrativo a mais para os fiéis e uma boa fonte de renda para os comerciantes. ''Montei barraca aqui pela primeira vez. Recebo tantas bençãos da minha Mãezinha que, apesar de pegar o último número sorteado entre os comerciantes, fiquei com um dos melhores lugares da feirinha'', comemorou Eurídice Rebeca da Silva, 50 anos, cujo maior sucesso eram bolsas de lona com a imagem de Maria, vendidas a partir de R$15,00.
Padre Valdecir, que pela primeira vez celebrou uma missa na festa da padroeira da Vila Nova, acredita que o número de participantes vem aumentando. ''Atribuo isso à identificação que o povo brasileiro tem com essa figura materna e à própria situação difícil por que passa o País, fazendo com que as pessoas se voltem mais para a fé'', assinalou. ''O grande recado de Maria é: meu filho é o caminho, a verdade e a vida. Amando a mim, você está amando Jesus''.


