Teve briga, teve atraso, teve divergências mas tudo foi superado. Ontem, na inauguração no Shopping Popular, a alegria e satisfação dos antigos camelôs que ocupavam as Avenidas Leste-Oeste e São Paulo (área central de Londrina) estava estampada nos rostos e sorrisos. Fogos de artifício, carreata, música, benção religiosa, foi uma festa.
Para a presidente da Associação dos Camelôs de Londrina (Acal), Cleusa Maria Silva, a esperança superava os receios. ''Tenho medo que o pessoal não venda e volte para a rua, mas isso aqui vai dar certo sim. Estamos na expectativa de ser o melhor para nós'', afirmava. O presidente da ONG Canaã, que também representa os camelôs, Rogério Gonsales, estava orgulhoso. ''Foi uma vitória para nós. Acabou a novela do camelódromo e estamos começando uma novela de expectativa e satisfação'', salientou.
A inauguração oficial foi simbolizada com a entrega dos dois primeiros alvarás. O prefeito Nedson Micheleti (PT) não pôde comparecer porque estava com uma forte gripe e o presidente da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), Wilson Sella, o representou. Jacira Bento Frizo recebeu o primeiro alvará das mãos de Sella, representando a ONG Canaã. ''Isso aqui é maravilhoso, vai ser uma benção para nós. Sem abrir eu já vendi R$ 300'', garantiu. Josias Tomás da Silva representou os camelôs da Acal e recebeu o alvará das mãos do presidente da Câmara de Vereadores, Orlando Bonilha (sem partido). ''A gente tinha um pouco de medo, mas agora está bem divulgado. Se continuar como era lá (no antigo camelódromo) já está bom'', disse Josias da Silva. Os outros camelôs devem receber seus alvarás a partir de terça-feira.
Para Sella, a abertura do Shopping Popular irá beneficiar todo o comércio local. ''Essa obra vai revitalizar essa região. Os comerciantes já estão melhorando seus estabelecimentos e há um projeto para estender o calçadão até a Rua Mato Grosso''. Segundo ele, o Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano (Ippul) está fazendo um estudo para a ampliação do calçadão, ''em abril devo abrir o processo de licitação'', disse.
E os antigos camelôs também têm a ganhar na visão do presidente da CMTU. ''É a oportunidade para eles crescerem, a chance de se transformarem em comerciantes como de fato eles são'', declarou. Sella apontou que a única maneira de coibir a presença de ambulantes nas ruas é fiscalizar. ''Em março vamos contratar 60 agentes para fiscalizar toda a cidade''. Sobre os ambulantes que estão vendendo cigarros e passes na avenida São Paulo, Sella expôs: ''Eles já estavam lá mas vamos trabalhar para tirá-los dali''.
Os comerciantes das proximidades do Shopping Popular estão otimistas. A funcionária de uma loja, Maria Luiza Martirene, lembrou que ''a rua estava meio esquecida, marginalizada''. ''Com a vinda dos camelôs vai aumentar o fluxo de pessoas na rua''. Para Marcelo Cruz, também funcionário do comércio, esse aumento já é percebido, ''O movimento estava fraco mas nessa última semana começou a aumentar. Acredito que seja pela abertura do Shopping Popular''.

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