Festa integra estudantes e pacientes com câncer
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segunda-feira, 30 de maio de 2005
Fernando Rocha Faro<br> Reportagem Local 
A tarde de ontem foi especial para o estudante Antonio Alberto Ferreira da Silva, 13 anos. Acostumado a passar o período de folga escolar colado no video-game, ele teve oportunidade de assistir apresentações artísticas e fazer um lanche reforçado. Mas nem sempre foi assim. Antes de detectar que era portador de câncer, o jovem passava as tardes jogando bola e brincando, sem medo de se machucar. O próprio evento promovido pela Escola Alternativa, no Jardim Santo Antonio, na Zona Oeste de Londrina, é uma inovação, criada no intuito de integrar as crianças e passar noções de cidadania e solidariedade aos alunos.
''Estou bem, mas sinto falta de jogar bola, correr. Também quase não ando de bicicleta porque é perigoso cair'', afirmou Antonio. Acompanhado da mãe Isabel Cristina da Silva, 32, o jovem, que mora no Jardim Atlanta, em Cambé (13 km a oeste de Londrina), é uma das cerca de 50 crianças atendidas pela organização não-governamental Instituto de Apoio às Crianças com Câncer (Indacc). A entidade foi convidada pela Alternativa para um lanche na tarde de ontem. Além da integração entre alunos e as crianças portadoras de câncer, o evento serviu para fazer a entrega de agasalhos, leite e calçados para a instituição.
As doações foram trazidas pelos próprios estudantes da escola. Os alunos fizeram também apresentações artísticas. ''É um trabalho de desenvolvimento da parte moral das crianças. Explicamos a importância da solidariedade'', explicou a coordenadora da Alternativa Claudete Lourenço.
Fundado há um ano, o Indacc ajuda crianças portadoras de câncer e os familiares numa sede alugada na Rua Ermelindo Leão, no Parque Bom Retiro (Área Central). São feitas doações de cestas básicas e medicamentos. Uma psicóloga voluntária também presta atendimento. ''Minha família inteira morreu com câncer. Eu tive câncer no esôfago e me curei. Fiz uma promessa que abriria uma entidade se me curasse'', contou a presidente Márcia Cristina da Silva.
O grupo de famílias atendidas pela entidade coleciona histórias de luta contra a doença. Uma exemplar é a de Lauane, de apenas 8 meses. Internada há cinco no Hospital Universitário (HU), a menina já estava desenganada pelos médicos de Belém (PA). Após tomar conhecimento do caso pela internet, uma parente de um casal de Londrina fez contato com a mãe dela, Aiane Ferreira dos Santos, 22. O casal ofereceu estadia enquanto durar o tratamento. Hoje, ela se divide entre o HU e a casa dos amigos, enquanto aguarda uma possível cirurgia. ''Estou com esperança e fé que tudo dê certo'', disse Aiane, que também recebe ajuda do Indacc.
SERVIÇO - O Indacc recebe contribuições pelo telefone 3356-0009 ou na sede na Rua Ermelindo Leão, no Parque Bom Retiro. O horário de atendimento é das 8 às 18 horas.


