Festa em família, 1º lugar na UEL
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quarta-feira, 24 de janeiro de 2007
Wilhan Santin<br> Reportagem Local 
Todos os anos a história se repete, milhares de estudantes disputam uma das 3.050 vagas que a Universidade Estadual de Londrina (UEL) oferece para um dos seus 42 cursos de graduação. Infelizmente, as vagas são poucas para tamanha demanda. Somente na última edição do vestibular da UEL mais de 22 mil candidatos não conseguiram realizar o sonho de estudar na maior universidade pública da região.
No caso do curso mais concorrido, Medicina, no qual cada vaga foi disputada por 55 candidatos, a aprovação é quase um ato de heroísmo. Se conseguir uma das 80 vagas nesse curso exige um excelente desempenho em todas as provas, para conseguir a primeira colocação é preciso ser quase perfeito.
Mas quem será este felizardo e o que será que ele fez para conseguir essa façanha? Para responder essas e outras perguntas, a reportagem da FOLHA foi conhecer o futuro médico Vítor Molina Mansano, 18 anos, o número um da lista de aprovados em Medicina na UEL em 2006.
Nascido e criado em Londrina, ele é filho do corretor de imóveis Ângelo Luiz Mansano e da professora Dalva Molina Mansano e irmão da estudante Carla Molina Mansano. Vítor curte a banda gaúcha Engenheiros do Hawaii, tem namorada, gosta de jogar futebol, é torcedor do Londrina Esporte Clube e sempre quis ser médico.
Vítor sempre estudou em escola pública e só foi para um colégio particular porque ganhou uma bolsa integral de estudos no Colégio Nobel, depois de vencer um concurso. Segundo ele, dedicar-se desde o primeiro ano do ensino médio foi o grande segredo para ter um desempenho tão bom no vestibular.
''É muito importante aprender corretamente todas as matérias, pois é preciso saber que estudar para o vestibular não significa aprender a matéria, mas relembrar'', aconselhou.
Outro conselho de Mansano é evitar a ''paranóia'' que toma conta de muitos vestibulandos. Ele conta que depois de sentir o gosto amargo da reprovação no primeiro vestibular que prestou, em 2005, aprendeu a estudar com mais qualidade.
''No meu primeiro vestibular, fiquei completamente 'bitolado' nos estudos e quando foi chegando próximo ao concurso, estava muito cansado. Dessa vez estudei bastante e com disciplina, mas respeitei os finais de semana, não estudei aos sábados e domingos e dediquei mais tempo ao namoro'', explicou.
Ainda segundo Vítor, o apoio dos pais também foi fundamental. ''Eles são meus ídolos'', destacou. ''Eu rezei durante todo o ano de 2006 para 13 santos pedindo a aprovação dele'', completou Dalva.
Ângelo Luiz fez questão de destacar que o filho, além de estudar, também o ajudou digitando laudos de imóveis visitados pelo corretor, o que garantiu um dinheiro extra para que o estudante pudesse viajar a Curitiba para visitar a namorada que mora por lá. ''É um garoto sensacional'', diz o pai.
Vítor Mansano conta ainda que pretende realizar, depois de formado, um outro sonho de criança: trabalhar em uma missão humanitária dos Médicos sem Fronteiras. ''Acho que todo profissional pode dedicar um tempo de sua vida a uma causa como essa, pretendo ajudar muita gente'', disse com simplicidade.
Ele também conquistou uma vaga no curso de Medicina da Universidade Estadual de Maringá (UEM), além de conseguir uma bolsa integral para o mesmo curso na Faculdade Evangélica de Curitiba, que é particular, devido ao seu bom desempenho no Programa Universidade para Todos (Prouni), do governo federal.
Com tudo isso, Vítor ainda arruma tempo para gostar de música. A preferida é ''Pescador de Ilusões'', do grupo O Rappa, cujo refrão repete várias vezes: ''Valeu a pena!''.


