Festa do Milho traz turistas a Paiquerê
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segunda-feira, 31 de janeiro de 2005
Jacira Werle<br> Reportagem Local 
Pamonha, curau, queijadinha, bolo, pudim e até brigadeiro: tudo à base de milho. Essas foram algumas das atrações da 10 Festa do Milho, no distrito de Paiquerê (35 km ao Sul de Londrina), que começou na sexta-feira e terminou ontem. Segundo dados da organização, 40 mil pessoas passaram pelo local nos três dias de evento. Vinte e cinco toneladas de milho foram consumidas durante a festa.
Enquanto a Festa do Milho acontecia na praça do distrito, em uma casa próxima do local, na residência da agricultora aposentada Rosa Goularte, várias pessoas trabalhavam na produção dos quitutes. Ela era uma das quatorze pessoas que montaram barracas com produtos à base de milho na feira.
O dia para os Goulartes começou cedo, às cinco da manhã, sem previsão de hora para acabar o serviço. As barracas só abriram às 10 horas, mas antes disso foi preciso limpar as espigas de milho, triturar, ferver ou assar todos os quitutes.
Rosa trabalha na festa desde a primeira edição. As receitas vendidas na barraquinha ela aprendeu a fazer desde criança, no sítio com os pais. ''Dá muito trabalho, mas vale a pena e a família não me deixa parar'', relevou. Sidinéia Goularte, sobrinha de Rosa, é uma das pessoas que auxilia no serviço. Foi Sidinéia quem resolveu fazer o brigadeiro de milho. ''Experimentamos vender brigadeiro de milho na festa do ano passado e deu certo. Neste ano estamos produzindo mais'', contou. Sidinéia disse que consegue fazer 62 receitas cuja base é o milho. ''O milho é uma benção'', ressaltou.
Sem mencionarem valores, elas disseram que apesar da atividade ser trabalhosa, o lucro compensa o esforço. ''Dá para pagar as contas e sobra um pouquinho para ir para a praia'', brincou Rosa. Eliane Garcia Santos, dona de outra barraca de produtos de milho, também reclamou do serviço mas continua trabalhando por causa do lucro. ''Começamos a nos preparar para a festa pelo menos um mês antes, pesquisando os preços dos materiais que vamos usar na barraca'', fala Eliane. Na barraca dela, um espetinho feito de bolinhos de milho fritos era o produto mais vendido.
O corretor de seguros Mauro Costa aproveitou o domingo e levou a família que mora em Londrina para conhecer a Festa do Milho. ''Estamos aproveitando para fugir do urbanismo passando algumas horas na festa do interior do município'', salientou. Apesar de achar os preços dos pratos um tanto ''salgados'', a qualidade teria compensado os custos. ''Compramos pamonha no mercado, mas essa é bem melhor'', avaliou a professora Roseli Bernardes.
O metalúrgico Sérgio Adriano dos Santos também levou a família de Londrina até a festa no distrito. ''Estamos fazendo um programa diferente, além de comer muitas coisas feitas com milho. Fazer em casa é muito trabalhoso'', argumenta Marina das Graças, professora.
De acordo com o coordenador do evento, Josias Pereira da Silva, foram montadas 45 barracas, vendendo desde churrasquinho, bebidas, brinquedos e, claro, produtos feitos de milho. Ele reforça que todas as pessoas que têm barracas são do distrito. ''A festa é boa porque deixa dinheiro circulando no distrito'', afirmou. Segundo ele, a organização do evento neste ano envolveu 700 pessoas. Quem tem estande paga uma taxa de R$ 50, que reverte em melhorias para a festa e comunidade; o restante do lucro fica para os donos das barracas.


