Ribeirão do Pinhal - A queima de fogos anuncia a chegada da bandeira. É dia de Santo Reis. Na cidade de Ribeirão do Pinhal (Norte Velho), o dia de ontem foi de festa, agradecimentos e pedidos. Tudo regado a muita comida, bebida, música e alegria. E o melhor: de graça. A festa tradicional acontece há 72 anos e já faz parte do calendário popular dos habitantes do pequeno município e arredores e até mesmo de moradores de outros estados. Estima-se que cerca de 1,5 mil pessoas participem da festa anualmente.
Segundo a tradição, vinda de Portugal, mas que no Brasil ganhou características religiosas, a data representa o dia em que os três reis magos foram encontrar Jesus Cristo, que acabara de nascer, para oferecer presentes. A festa de Ribeirão do Pinhal mantém as tradições e o ritual. Começou com a saída da bandeira, no dia 28 de dezembro e, desde então, os foliões passaram de casa em casa recebendo as ofertas e deixando mensagens de paz, benção e amor. Depois de visitar a última residência se dirigiram rumo à festa ao som de violas, pandeiros e cantorias religiosas.
Tudo o que foi arrecadado neste período - fruto do esforço dos festeiros (organizadores responsáveis) e voluntários - é servido para toda a família e comunidade. Este ano, foram cabeças de gado, leitoa, além de arroz, batata, macarrão e sorvete de sobremesa. ''Esta é a prova de que a união faz a força. Nos sentimos gratificados de termos sido escolhidos como festeiros este ano e, junto com toda a família, oferecemos essa festa de coração'', diz Patricia Badaró Martins, mulher de Deivid Martins, tataraneto de Ambrósio Dutra, que fez a primeira festa na cidade, em 1938.
Pai de 14 filhos, Dutra iniciou o que hoje, além da festa religiosa, é um grande encontro da família, já que com os anos foi aumentando e se dissipando por todo o país. No bairro de Jacutinga, onde a festa acontece, por onde se anda é possível encontrar primos e mais primos, sobrinhos e filhos da nova geração, que ajudam a continuar com o espírito da data. Todos saem de suas casas, alguns deles ficam acampados na escola, para ajudar e participar da festança. ''Cada ano que passa mais gente aparece'', diz Amado Dutra, um dos netos que continua a tradição.

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