Festa da Rave tumultua Batel e pode custar multa e cassação
A Rave Night Club terá de pagar multa e poderá ter o alvará de funcionamento cassado por ter promovido festa sem licença na madrugada de domingo. A festa de dois anos da danceteria ocorreu na Avenida Batel, 1.824 - na mansão da Casa Cor, perto da conhecida Praça do Batel.
A Prefeitura de Curitiba e a Delegacia de Ordem Social, que poderiam ter dado a permissão, não foram consultadas sobre a realização do evento. Nem que tivéssemos sido procurados, teríamos dado o alvará. O local é impróprio, pois a área é residencial e localizada em frente a um hospital, disse o superintendente do Cadastro Técnico da Secretaria Municipal de Urbanismo, Alceu Guebert.
A assessoria da Rave informou que o alvará não foi pedido porque os donos da danceteria não sabiam que havia necessidade de autorização para um evento de apenas um dia. Os donos da Rave, Riad Omairi e Adolfo Bertoldi, foram localizados ontem pela Folha, mas preferiram não falar sobre o assunto.
A Secretaria Municipal do Meio Ambiente aplicou multa de R$ 3.200,00 por poluição sonora. O som da festa era de 76 decibéis, quando o máximo de barulho permitido para aquela região da cidade é de 55 decibéis. A Secretaria Municipal de Urbanismo multou a Rave em R$ 495,00, por falta de alvará.
A Secretaria de Urbanismo iniciou processo que pode determinar até mesmo a cassação do alvará da Rave. A festa foi realizada contra as normas da prefeitura, disse Guebert.
A Delegacia de Ordem Social abrirá termo circunstanciado de infração penal, atendendo ao disposto na lei 9.099/95, que trata de delitos de menor potencial ofensivo. Segundo o delegado Osmar Tadeu Cardoso, o termo será encaminhado para o Juizado Especial Criminal, que decidirá a pena.
Na sexta-feira, a Secretaria Municipal de Urbanismo notificou os donos da Rave para não realizarem a festa. Na noite de sábado, aplicaram auto de infração e de embargo. Segundo Guebert, a intenção era interditar a festa, mas já havia muita gente no local.
Barulho - Na confusão da madrugada de domingo, o deputado estadual Beto Richa (PTB) foi apontado como o realizador da festa. Ontem, ele falou que procuraria o autor da brincadeira de mau gosto. O deputado mora a quatro quadras do local da festa e disse que ficou sem dormir até as 6 horas por causa do barulho.
Os moradores do único prédio da Praça do Batel também tiveram dificuldades de dormir. O zelador Carlos Góes disse que a reclamação foi geral. A moradora do apartamento 703, Marilda Macedo, 59 anos, ficou acordada a noite inteira por causa da música. Quando a festa acabou, por volta das 9 horas, ela já não conseguia mais dormir. Acho que a festa foi realizada num lugar inoportuno, disse. O filho Silvio, 37 anos, demorou a chegar em casa por causa do movimento.
Pessoas que precisaram chegar ao Hospital Santa Cruz também demoraram a chegar. O médico Antonio Petrini, que estava de plantão na madrugada de domingo, disse que os pacientes levaram até uma hora para andar apenas uma quadra. O vice-diretor do Hospital Santa Cruz, Afonso Ennes, disse que também houve dificuldade para driblar as pessoas que estavam indo à festa e queriam estacionar os carros no hospital.





