Festa da paz
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quinta-feira, 08 de junho de 2017
Pedro Marconi<br>Reportagem Local 

Após um início de 2017 marcado pela insegurança, o clima de normalidade voltou a fazer parte da rotina dos moradores do conjunto Novo Amparo, na zona norte de Londrina. Em janeiro, as aulas da escola e centro municipal do bairro tiveram que ser adiadas, a Unidade Básica de Saúde (UBS) fechou as portas e o policiamento foi reforçado. Tudo em razão de uma onda de violência que assustou a população.
Cinco meses depois, as crianças voltaram a brincar nas ruas e as instituições públicas estão funcionando sem nenhum problema. Para comemorar a fase, uma tradicional festa junina está sendo preparada para este sábado (10), a partir das 19 horas, na rua Maria Garcia Lopes, situada em frente à escola municipal Elias Kauam. "Estamos vencendo todos os problemas. Esta festa é para mostrar que a paz voltou", resume Flávio Alves Folgado, presidente da associação de moradores do bairro. Em cada ano, um local diferente do bairro é contemplando para receber a celebração.
O evento nesta época do ano é realizada há mais de três décadas. A iniciativa é de Joana Rodrigues, uma das mais antigas moradoras do Novo Amparo. "Coloquei um rádio na frente de casa. Comecei fazendo pastel, salgado, bolo e quentão para distribuir. Também organizava a quadrilha e juntávamos os vizinhos. Nunca imaginei que fosse crescer tanto", recorda. Depois do marido da matriarca morrer, a festividade deixou de ser organizada durante cinco anos, voltando em 2002 com a ajuda de Folgado.
Desde então, o festejo junino só cresceu, atraindo cada vez mais pessoas da comunidade e que moram no entorno do conjunto. Barracas passaram a ser montadas e os moradores começaram a produzir guloseimas para serem comercializadas. Cantores também integraram a programação. Um deles foi o londrinense Jefferson Moraes, que venceu uma competição musical de programa de televisão e vem fazendo sucesso cantando o gênero sertanejo.

Para este ano, estão previstas apresentações de uma dupla e um cantor solo e também sorteio de diversos brindes arrecadados junto ao comércio local. Tudo de forma gratuita. Além da comida típica e brincadeiras, várias crianças e adolescentes irão mostrar coreografias de danças. Também terá a quadrilha para os pequenos e adultos. Segundo Alice do Sacramento, responsável pelos ensaios, mais de 12 casais estão envolvidos. "Ensaiamos uma vez por semana e é muito divertido. As crianças estão dando de dez a zero nos pais", brinca ela, que com várias fotos em mãos mostra com orgulho da época que já participava quando criança.
EXPECTATIVA
Por se tratar de um momento de alegria em um lugar que é taxado pelo lado negativo, os moradores acabam criando muita expectativa para a festa e mostram orgulho de ajudar. "É um dos únicos dias que as pessoas têm aqui para se sentirem bem, arrumarem uma roupa diferente e aproveitar em comunidade", acredita Joice Moraes Sampaio.
Com vigor de jovem no auge dos seus 72 anos, Joana Rodrigues, "mãe" de vários eventos que acontecem no Novo Amparo, como a festa junina e o dia das crianças, credita nas ações a maneira para trazer paz para o conjunto. "Quando comecei a fazer as festas a questão da violência era muito pior. É preciso fazer isso para mostrar que tem coisa boa aqui", ressalta. "Essa festa mostra união e alegria de todos. Quebramos muitos preconceitos ao longo dos anos e não vamos parar. Mais de duas mil pessoas de bem moram no conjunto", acrescenta Folgado.
Espero que continue assim
O problema da falta de segurança fez com que os moradores do Novo Amparo vivessem semanas sem saúde e educação. Em janeiro, uma série de tiroteios obrigou a prefeitura a suspender os serviços públicos no bairro. Com a calmaria de volta e os atendimentos em escolas e unidade de saúde funcionando normalmente, as pessoas respiram aliviadas.
Segundo Lucimar Pauleti Fernandes, diretora da escola municipal Elias Kauam, não houve mais registros de reclamações relacionados à violência, principalmente dos profissionais que trabalham na instituição. "Está tudo mais tranquilo; espero que continue assim."
Para o motorista aposentado Orenir Garcia, a segurança de poder ir e vir sem se preocupar que algo grave aconteça tem feito bem para a comunidade. "O clima melhorou muito depois do que aconteceu no começo do ano. Ficou até mais sossegado sair de casa."
Ambos acreditam que a festa é uma forma de socializar e enfrentar os problemas relacionados à criminalidade, que diminuíram, mas não foram extintos. (P.M.)


