Os índios tupis dizem que a mandioca nasceu de Mani, uma indiazinha de pele muito alva que, depois de morta, foi enterrada pelos pais dentro da oca, como de costume. Daí surgira a planta, logo transformada em alimento pela tribo. Mais céticos, pesquisadores preferem acreditar que ela teve origem na diversidade botânica da América, e só.
Discussões à parte, a verdade é que hoje o tubérculo faz diferença tanto no bolso quanto nas tradições culturais de muita gente. Que o digam os produtores do Bairro Três Bocas (zona sul de Londrina), onde foi realizada no final de semana a 6 Festa da Mandioca. Atualmente, além de responder por cerca de 80% da produção na cidade (em 186 hectares de cultivo), o local ainda exporta para Minas Gerais (MG), Mato Grosso do Sul (MS) e São Paulo (SP).
O evento, que aconteceu sábado e domingo, foi organizado pela comunidade local, com apoio da secretaria municipal de Agricultura e Abastecimento e do Programa Municipal de Incentivo à Cultura (Promic). Ao todo, uma tonelada de mandioca foi comercializada em forma de doces (pães, bolos, pudins), salgados (em porções fritas, biscoitos, pães e tortas) e até suco.
''Pela questão financeira a festa até não vale tanto a pena, pois a mandioca não é um produto caro. Por outro lado, é bom para divulgar o bairro e abrir acesso a novas comercializações'', destacou a presidente da Associação de Moradores da região, Joelma de Souza Carvalho. De acordo com ela, os R$ 2 mil esperados este ano serão aplicados em benfeitorias a principal deve ser um centro comunitário. ''Aqui a maioria do pessoal é parente entre si, já que a colonização mineira predomina'', comentou.
Ontem à tarde, o que não faltou para os visitantes da feira foram opções de entretenimento; do bingo ao concurso da mandioca mais pesada. A vencedora (uma raiz de quase 60 cm) pesava exatos 9,350 Kg.
As razões para conferir o evento também variaram. ''A gente sai um pouco da rotina, se distrai, encontra amigos... É bom, de vez em quando'', contou a empregada doméstica Vilma Nunes Alécio, 39, que levou a família de oito pessoas do Jardim União da Vitória (zona sul). Atento entre um número cantado e outro, o produtor João Ângelo, 64, que já não vende mais mandioca, queria mais era ganhar algum prêmio no bingo. ''Hoje só planto para consumo próprio'', explicou. Nascida e criada no Três Bocas, a salgadeira Maria de Jesus da Silva, 53, conta que não é difícil preparar pratos com a matéria-prima. Nem mesmo por horas a fio, e sobre o calor da frigideira com óleo quente. ''Vale a pena, e muito'', resumiu.

mockup