A Polícia Militar do Paraná registrou mais de 50 reclamações de moradores da região do bairro Batel, em Curitiba, nas primeiras horas da manhã de ontem, pelo telefone 190. Todos pediam providências em relação a uma festa que aconteceu na madrugada de domingo na mansão da Casa Cor, que teria extrapolado os limites de som. A festa, promovida pela Rave Night Club, foi realizada em frente ao Hospital Santa Cruz e só terminou depois das 9 horas, quando o sol já brilhava.
Um funcionário do hospital, que não quis se identificar, afirmou que depois das 7 horas a festa continuava ‘‘a todo vapor’’, com um som ‘‘ensurdecedor’’. ‘‘As pessoas precisavam repousar e não puderam’’, afirmou. O hospital conta com 53 pacientes internos, sendo nove na Unidade de Terapia Intensiva (UTI).
A moradora do 7º andar do único prédio da praça, Cibele Michelotto, 63 anos, comentou que passou a madrugada toda acordada. ‘‘Às 3 horas da manhã eu estava na sacada, vendo aquele mar de carros parados em fila tripla. Fiquei pensando como uma ambulância faria no caso de precisar entrar ou sair rapidamente no hospital’’, disse Cibele, revoltada por ter dormido à noite.
Há 25 anos moradora no mesmo edifício, Cibele conta que sempre conviveu bem com o movimento da avenida, o que considera ‘‘saudável’’. Entretanto, ela afirmou que a festa foi uma grande falta de respeito, principalmente com o hospital, ‘‘tanto de quem fez quanto de quem autorizou a mesma’’.
Segundo policiais militares que estavam no plantão, uma viatura chegou a ser deslocada ao local, mas nada pode ser feito, já que os organizadores da festa teriam autorização da Delegacia da Ordem Social. O delegado não foi encontrado ontem pela Folha.
A festa da Rave contou com três lonas de circo armadas, shows pirotécnicos, malabarismos e performances circenses, ao som de vários DJs. Os responsáveis pelo evento Riad Omairi, Adolfo Bertodi e Gustavo Conti não puderam ser ouvidos pela reportagem da Folha porque estavam dormindo durante toda a tarde de ontem.

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