A rigidez de costumes da religião muçulmana, que proíbe o consumo de bebidas alcoólicas, a prática de qualquer tipo de jogos de azar, e exige que as mulheres usem roupas que cubram todo o corpo, inclusive a cabeça, não vem sendo barreira para que muitos brasileiros decidam cada vez mais seguir os ensinamentos do Islamismo.
Segundo pesquisas dos líderes religiosos muçulmanos, nos últimos dez anos houve uma explosão na procura das pessoas por esta religião. Os seguidores, que eram cerca de 1 bilhão em todo o mundo em 1985, atualmente somam 1,5 bilhão de pessoas - um crescimento de 50% em pouco mais de dez anos. No Brasil já são mais de 60 mesquitas, sete delas nas cidades paranaenses de Guarapuava, Londrina, Ponta Grossa, Maringá, Foz do Iguaçu, Paranaguá e Curitiba.
Mas o que tem levado as pessoas da terra do samba, praia e carnaval a optarem por uma vida casta, sem os prazeres do álcool, das drogas e do sexo fácil? O comerciante João Ângelo Pinto Ferreira, de 32 anos, disse que a sua conversão aconteceu aos poucos. Primeiro veio o interesse pela língua árabe. Com o tempo, o gosto pela religião foi ganhando força, a ponto de hoje seu projeto de vida ser tornar-se um líder religioso, um xeque. ‘‘Pretendo estudar Teologia Islâmica no Irã e me tornar o primeiro xeque de nacionalidade brasileira’’, sonha.
Apoio para isto João Ângelo já conseguiu. Atualmente como secretário do xeque Said Bilal Wehb, líder religioso muçulmano xiita para todo o Brasil, João Ângelo teve o pedido de ingresso na escola de Teologia referendado por Bilal, como um reconhecimento de seu trabalho junto à Mesquita Muçulmana de Curitiba, onde exerce as funções de secretário e relações públicas do templo.
Todo esse empenho acabou despertando nos pais de João Ângelo um sentimento de agressividade em relação à nova religião do filho. ‘‘Sempre que aparecia a imagem de algum atentado terrorista na televisão eles apontavam e diziam para eu ver como são os muçulmanos, dentro de uma visão pré-concebida da imprensa mundial’’, conta. Mas aos poucos a família foi se entendendo e hoje, até os hábitos alimentares começam a seguir os rituais islâmicos.
Essa disposição em seguir os passos do Islã fez com que João Ângelo se afastasse um pouco dos namoros, e adiasse para mais tarde qualquer plano de casar e constituir família. ‘‘Estou canalizando a minha vida para alcançar meus objetivos’’, explica. Entretanto ele não abre mão de que a mulher que vier a ser sua esposa seja muçulmana ou se converta ao Islamismo antes do casamento. ‘‘Somos muito cuidadosos com a família, pois é necessário que todos saibam dos direitos e deveres para com o casal e com os filhos’’.
Outra jovem que se converteu ao Islamismo foi a estudante de medicina Adriane Ferreira de Almeida. Adriane veio do interior de São Paulo para estudar em um curso preparatório para vestibulares em Curitiba, e teve a vida modificada radicalmente pelo Islamismo. A conversão de Adriane aconteceu depois de um encontro casual dela com o sheik Bilal nas ruas de Curitiba, quando foi convidada a conhecer a Mesquita Muçulmana. Aos poucos ela foi se dedicando à nova religião, e hoje mora em Qazvim, cidade iraniana em que estuda medicina graças a uma bolsa de estudos concedida pela governo do Irã.

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