Ferrovila surgiu num feriadão
O temor por novas invasões no feriadão de Sete de Setembro tem uma explicação. Foi no dia 7 de setembro de 1991 que nasceu a Ferrovila, depois de uma invasão. Nessa data, cerca de 1,2 mil famílias ocuparam uma área da prefeitura destinada a receber 10 mil apartamentos, que seriam construídos em parceria com a iniciativa privada e depois negociados com a população. A invasão aconteceu em uma faixa de terreno na Região Sul da cidade, com 11,5 quilômetros de extensão por 40 metros de largura, quando 200 apartamentos estavam concluídos e outros 200 estavam em obras. A ocupação modificou totalmente o perfil de utilização dos terrenos e paralisou o projeto.
Segundo a prefeitura, moram atualmente na Ferrovila os 400 moradores dos apartamentos e 868 famílias de invasores que estão negociando a legalização dos terrenos com a prefeitura de Curitiba. Uma das moradoras da Ferrovila é a pensionista do INSS Idalvina dos Santos. Ela mora com a família e diz que acabou invadindo a área porque não podia esperar por três anos para ter seu imóvel.
Mesmo sem contar com uma rede de esgoto, Idalvina acredita que a vida está muito melhor agora, pois deixou uma casa apertada na Vila Formosa, em que morava com toda a família, para residir em um bairro próximo ao Centro. Ela contou que no começo não existiam benfeitorias no local, mas aos poucos os moradores conseguiram implantar serviços essenciais como água e luz.
Apesar de a prefeitura já ter iniciado o processo de legalização dos lotes, Idalvina não acredita ter como aceitar a proposta da Cohab-Curitiba: prestação média de R$ 55 por 25 anos para legalizar os lotes. O preço das prestações é muito alto e como eu vivo com um salário mínimo não sei como vou fazer. Só sei que daqui não saio , disse. (G.V)





