Ferrovia quer intermediar negociação
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quarta-feira, 04 de novembro de 1998
Alexandre Sanches 
A gerência de patrimônio da Ferrovia Sul Atlântico, que administra as linhas férreas no Paraná, aguardava até a tarde de ontem, a confirmação do dia, hora e local da reunião com os moradores do Patrimônio Ceboleiro, em Rolândia (25 km a oeste de Londrina), prevista para ter acontecido ontem. Segundo a gerente da empresa, Patrícia Pugas, a Ferrovia vai somente intermediar a negociação entre os moradores do Ceboleiro, que marcariam a reunião, prefeituras de Rolândia e Arapongas e a Viapar - concessionária responsável pelo Lote 2 do Anel de Integração.
Na sexta-feira a Ferrovia Sul Atlântico fechou uma passagem de nível na estrada de acesso a Arapongas, gerando protesto dos moradores. A estrada, aberta há mais de 60 anos, estava sendo utilizada desde julho como desvio da praça de pedágio instalada na BR-369, na divisa dos dois municípios. O grande fluxo de veículos, que chega a cinco mil/dia, oferece perigo naquele local, pois a transposição da ferrovia acontece entre duas curvas, informou Patrícia.
Após um dia de protesto pelo fechamento da passagem de nível, os moradores improvisaram a transposição da ferrovia, permitindo que o fluxo de veículos continue no local. O fechamento daquela passagem foi pedido pelas duas prefeituras, que não se responsabilizaram por elas. Para a Ferrovia não existe aquela transposição de linha. Retiramos as placas e os contra-trilhos. Nos propusemos a intermediar uma solução para os moradores que não querem pagar pedágio para ir até Arapongas, ressaltou.
Patrícia enfatizou que a empresa está preocupada com o fator segurança, tanto para quem transita pelo local, quanto para o patrimônio da empresa e seus funcionários. Por dia, passam ali 10 composições férreas em horários alternados. Não há como uma composição dessa, geralmente com 20 vagões, parar porque há um veículo no cruzamento. Mesmo acionando os mecanismos de frenagem, a composição se arrastará por aproximadamente 1600 metros sobre os trilhos, informou.
Há pouco mais de um mês, um caminhão-tanque enroscou nos trilhos. A Ferrovia Sul Atlântico orientou seus maquinistas a considerar a área como trecho de restrição, onde o maquinista reduz a velocidade da composição férrea e buzina mais vezes do que o normal. A empresa não tem interesse em prejudicar ninguém. Só estamos preocupados com a segurança dos nossos funcionários e dos moradores da região. O presidente da Associação de Moradores do Ceboleiro, Luiz Alves, disse que hoje se reunirá com a direção da Viapar, em Maringá.


