A privatização das ferrovias paranaenses, que completa três anos e meio no próximo dia 1º, resultou em uma notícia boa e pelo menos três ruins. A boa é que as duas concessionárias que operam o sistema conseguiram aumentar em no mínimo 75% o volume de cargas transportadas. Neste ano, deverão movimentar 13,5 milhões de toneladas.
Das notícias ruins, a mais triste e visualmente mais chocante é o abandono de um patrimônio público avaliado em R$ 15 milhões. Desprezado pelas concessionárias – que o consideraram não-lucrativo – e abandonado de vez pela Rede Ferroviária Federal, um conjunto de estações, casas, armazéns e vagões se transformam em ruínas às margens dos 2,3 mil quilômetros de trilhos no Estado. Os outros dados desfavoráveis são a demissão de dois terços dos empregados e a piora da manutenção da malha, o que estaria provocando acidentes.
Durante uma semana, dois repórteres da Folha percorreram os principais trechos do sistema, numa viagem de mais de 2 mil quilômetros. O resultado dessa radiografia ferroviária está nas cinco páginas a seguir. Detalhe: a viagem foi feita de carro, já que não há mais trens regulares de passageiros.
Mas já aparece uma luz no fim do túnel ferroviário. Um estudo recém-concluído aponta a viabilidade da retomada desse meio de transporte no eixo Londrina-Maringá. O aposentado José Almedo da Silva, de Sarandi (que aparece na foto acima), já sonha em voltar a viajar de trem.

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