Edson MazzettoSem filasA administração do terminal de Cascavel espera liberar os caminhões em no máximo 12 horasA Ferrovia Paraná S.A. (Ferropar) está duplicando a capacidade de transporte de cargas do terminal de Cascavel para o Porto de Paranaguá, para atender ao pico do escoamento da safra agrícola que ocorrerá nas próximas semanas. O transporte passa a ser feito por 120 vagões e o terminal passa a funcionar diuturnamente e com 32 trabalhadores. A medida permitirá o transporte de 6 mil toneladas diariamente, com estimativa de 1,12 milhão de toneladas no ano.
Caminhoneiros que levam cargas para serem transferidas para os vagões vinham reclamando da falta de estrutura no terminal, que resultava em espera até de dois dias e fila de até 300 caminhões. Os motoristas ainda reclamam da falta de instalações sanitárias, lanchonete e outros serviços de apoio. O gerente da Ferropar, engenheiro João Carlos Mascarenhas, disse ontem que ‘‘a queixa é justa’’ e garantiu que será providenciado o apoio.
Com a duplicação do número de vagões e de pessoal, a Ferropar espera liberar os caminhões no máximo em 12 horas. Mascarenhas considera o tempo satisfatório, comparando com a demora para descarga no Porto de Paranaguá. ‘‘Lá é de 15 horas em condições normais, mas pode chegar a até 72 horas no pico’’, diz. As composições usadas pela Ferropar são alugadas da Ferrovia Sul Atlântico.
As composições cobrem os 736 quilômetros entre Cascavel e Paranaguá em no máximo 36 horas, enquanto caminhões demoram cerca de 10 horas. Segundo o responsável pelo setor comercial da Ferropar, Renato Selhorst, o custo do frete é cerca de 15% inferior ao do transporte rodoviário, feito pela BR-277. A ferrovia começou a operar experimentalmente em 96, quando transportou 270 mil toneladas. No ano seguinte, foram 400 mil.
No retorno de Paranaguá os vagões já transportaram 106 mil toneladas de produtos como cimento e calcário, da Região Metropolitana de Curitiba. A estimativa é de que futuramente sejam transportadas 4 milhões de toneladas ao ano nos dois sentidos do percurso. O volume viabilizará financeiramente a ferrovia, segundo o diretor de Desenvolvimento de Negócios da Ferropar, Américo Xavier Maia.
Para isso, deverão ser investidos ao longo de 5 anos R$ 120 milhões em locomotivas e vagões. A Ferropar é detentora de concessão do Estado, que investiu R$ 360 milhões para implantação dos trilhos e terminais entre Cascavel e Guarapuava, com trecho de 248 quilômetros. De Guarapuava a Paranaguá, a responsabilidade é da Ferrovia Sul Atlântico. O Oeste produz um terço das safras agrícolas do Paraná, por isso a ferrovia tem importância estratégica.

mockup