Ferrovia fecha desvio de pedágio
A Ferrovia Sul Atlântico surpreendeu ontem moradores do patrimônio do Ceboleiro, no limite entre Arapongas e Rolândia, bloqueando a alternativa para desviar da praça de pedágio da Viapar, na BR-369. Desde as primeiras horas da manhã, operários e máquinas da Sul Atlântico trabalharam para fechar duas passagens de nível, onde a estrada rural, usada como desvio, cruza a ferrovia.
Agora, o prefeito de Arapongas, José Bisca, está negociando um acordo com a Viapar. O objetivo seria dar passe livre no pedágio para moradores e trabalhadores daquela região. O comando do 15º Batalhão da PM e a Ferrovia Sul Atlântico não descartam a possibilidade de agricultores e moradores do Ceboleiro reabrirem a passagem de nível.
O bloqueio inviabilizando a circulação de veículos no desvio gerou protesto entre moradores e motoristas. A presença de homens da Polícia Rodoviária impediu que houvesse qualquer tipo de incidente. O capitão Washington Alves da Rosa, comandante do 2º Pelotão da Polícia, determinou que fossem sinalizadas as duas extremidades do desvio, apenas como forma de orientar os motoristas.
Patrícia Puga, gerente de patrimônio da Ferrovia Sul Atlântico, justificou que a empresa estava preocupada com o risco de acidentes, considerando o grande fluxo diário de veículos e caminhões trafegando pelo local.
Temos informações de que passam por aqui diariamente 5 mil veículos e, há cerca de 30 dias, um caminhão-tanque ficou encalhado sobre os trilhos, comentou Patrícia. Ela apresentou documento com a anuência dos prefeitos de Arapongas, José Bisca; e de Rolândia, José Perazollo. Segundo ela, ambos mantiveram entendimentos com diretores da Sul Atlântico e concordaram com a decisão.
O fechamento do desvio aumenta a distância entre o patrimônio e a cidade de Arapongas, mas a medida divide a opinião dos moradores. Todos são unânimes em afirmar que a praça de pedágio se tornou um inconveniente para o Ceboleiro, mas também concordam que o tráfego intenso prejudica a comunidade.
O presidente da Associação dos Moradores do Ceboleiro, Luis Carlos Alves, discorda do fechamento da estrada municipal que, segundo ele, existe há 64 anos. Apesar disso, admite que o número de veículos que estava passando pelo local trouxe muitos problemas para a comunidade.
O ideal seria um acordo com a Viapar, permitindo que todos moradores e agricultores daqui tivessem passe livre para ir e vir, seja para Arapongas ou Rolândia, comentou.
João Alberto Chimbica Batista mora em Rolândia e trabalha há mais de 20 anos em Arapongas. Ele se diz obrigado a passar pelo desvio até cinco vezes por dia. Se pagar o pedágio não compensa trabalhar, frisa, reivindicando um tratamento diferenciado para as pessoas que trabalham nas duas cidade e fazem o trajeto várias vezes por dia.Odair StraliottiFuncionários da ferrovia fecham desvio enquanto moradores protestamMaurício Borges





