Ferros velhos tiram o sono de moradores
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terça-feira, 30 de março de 2010
Bruno Maffi<BR>Especial para a Folha 
Ratos, aranhas, mosquitos e baratas. Essas são as visitas indesejáveis que os moradores da Vila Casoni (Zona Leste de Londrina) estão recebendo com frequência. Os criadouros dessas pragas, segundo os moradores, são os ferros velhos, que tomaram conta da região. Na quadra em frente à Paróquia Nossa Senhora de Fátima são oito estabelecimentos do ramo.
Preocupado com a situação e com o surgimento de doenças, o padre Gianni Calderaro decidiu reivindicar mudanças. ''Esses estabelecimentos são refúgios de ratos que depois invadem as casas vizinhas. Sabemos que urinam até nos alimentos, podendo causar doenças'', afirma.
O padre diz que já reclamou na prefeitura, mas sem resultado. ''Quando ele (o prefeito) começou seu mandato pediu para encontrar com a comunidade em nosso salão. Nós pedimos mudanças quanto aos ferros velhos, mas fomos ignorados''. Calderaro também se manifesta quanto ao aspecto visual da região. ''Somos a segunda cidade do Paraná. Curitiba, que se tornou modelo para o mundo, tem os ferros velhos cobertos e com muros altos. E Londrina? A Avenida 10 de Dezembro é uma das principais entradas da cidade e é uma vergonha toda essa velharia exposta'', conclui.
Os vizinhos da paróquia se uniram para pedir mudança. ''Cada vez mais abrem ferros velhos aqui. Surgiu muito pernilongo, barata, rato. Quando eles mexem nos ferros os bichos que estão entocados saem e naquela noite é um caos'', afirma a moradora Vera Bottino.
Vera conta que já processou um estabelecimento para amenizar a situação. ''Não há conversa com os donos dos ferros velhos. Entrei na Justiça e eles tiveram que erguer o muro, mas foi muito pouco, não adiantou. Eles usam a parede da nossa casa e deu infiltração. Fizemos um abaixo-assinado, mas não deu resultado'', conta a moradora, desanimada.
A professora Sueli Palomares, que mora na Rua Padre Domingos Rovedatti, conta que foi à prefeitura com outros vizinhos para reclamar, mas não foi feita nenhuma visita de fiscais para avaliar a situação. ''Disseram que nossa rua é comercial. O único comércio é esse ferro velho, que ainda é apenas um depósito, não fica ninguém. Quando passa o fiscal da dengue, não pode nem fazer o controle, porque está sempre fechado'', desabafa.
Segundo a professora, se houvesse um controle maior e fossem feitas as mudanças quanto à estrutura não haveria problemas. ''Nós entendemos que é um ramo de trabalho, mas é necessário a cobertura e os muros altos, com um controle rígido dos fiscais da saúde. Eles também desmancham carros com máquinas barulhentas, em horários impróprios'', afirma.
Outra reclamação que Sueli faz é quanto aos gastos para conter a infestação. ''Gasto muito dinheiro com inseticida. Estou cheia de feridas das picadas dos insetos. Tenho pessoas de idade em casa e uma preocupação é com a dengue. Debilitados, se pegarem, morrem. E ainda tem os ratos. Eles urinam nos móveis da gente. Será que as autoridades acham que não é problema deles?''


