Ferropar quer atingir 4 milhões t/ano
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terça-feira, 27 de maio de 1997
Paulo Pegoraro, de Cascavel 
Edson MazzettoEscoamentoComposições no terminal de Cascavel; movimentação de 150 mil toneladas de janeiro até agoraA empresa Ferropar, que sucedeu a Ferroeste na operação do trecho entre Cascavel e Guarapuava por concessão do Estado, deve atingir, em plena operação, 4 milhões de toneladas transportadas entre Cascavel e o porto de Paranaguá por ano. Na ida levará safras agrícolas para exportação e no retorno insumos e outros produtos. Esta é a meta para que seja viável a operação, disse ontem por telefone à Folha, o diretor de Desenvolvimento de Negócios da Ferropar, Américo Xavier Maia.
A meta para a ferrovia, que iniciou operação experimental no final do ano passado, é que em 5 anos sejam transportados 4 milhões de toneladas/ano. No período, deverão ser investidos R$ 120 milhões em locomotivas e vagões, segundo Maia. Nos primeiros meses deste ano, as cargas foram de 150 mil toneladas, com cerca de 70% em direção ao porto. Até o final do ano, o volume deve chegar a 700 mil toneladas e em 98 devem ser 1,9 milhão de toneladas. Atualmente, o comboio é formado por dez vagões e uma locomotiva.
Vinte locomotivas da antiga RFFSA que estavam desativadas por falta de manutenção estão sendo reformadas para utilização pela Ferropar e também na malha sul, operada agora pela Ferrovia Atlântico Sul (FSA). A recuperação é feita em Curitiba, com investimento de R$ 10 milhões, com entrada em operação escalonada entre este mês e os próximos. Ferropar e FSA mantêm acordo para tráfego mútuo, incluindo o trecho Guarapuava-Paranaguá (450 quilômetros) e os 248 quilômetros entre Cascavel e Guarapuava. Este trecho foi construído pelo Estado com investimento de R$ 360 milhões.
O Oeste responde por mais de um terço das safras agrícolas do Paraná. Por isso, a ferrovia tem importância estratégica para os produtores e o próprio Estado. Atualmente, o custo de uma tonelada transportada de Cascavel a Paranaguá é de R$ 21,00. Quando a operação for plena, com terminais consolidados ao longo do trecho, o frete pode ser 30% mais barato que o rodoviário, disse Américo Xavier Maia.
O governo do Paraná quer a extensão dos trilhos até Foz do Iguaçu e há estudos para que cheguem a Guaíra, na fronteira com Paraguai e Argentina. Estes dois países devem utilizar a ferrovia para suas exportações.
Com a ferrovia, a cidade de Cascavel tornou-se um dos mais importantes entroncamentos rodoferroviários do Estado. O terminal de Cascavel fica na margem da BR-277, a 15 quilômetros da cidade. É no terminal que os caminhões fazem o transbordo de cargas para os vagões.
A polarização será ampliada nos próximos meses, com a conclusão da ponte sobre o Rio Paraná, em Guaíra, facilitando a passagem de cargas procedentes do Centro-Oeste brasileiro em direção a Paranaguá, e que serão embarcadas nas composições da Ferropar. Ao mesmo tempo, aguarda-se a instalação da Estação Aduaneira do Interior (Eadi) ou porto seco.
A Eadi foi autorizada pelo presidente Fernando Henrique Cardoso, em agosto de 96, e deve funcionar junto ao terminal como uma extensão de Paranaguá para desembaraço de exportações e importações. Segundo Américo Xavier de Maia, a ferrovia estará definitivamente consolidada quando o porto seco for implantado e estiver devidamente estruturado o terminal de Cascavel e pontos de embarque no trecho até Guarapuava, com participação de empresas que movimentam cargas em direção ou oriundas do porto.
Segundo o diretor da Ferropar, a iniciativa privada está sendo procurada, para que faça estes investimentos, o que estaria sendo facilitado com a concessão do trecho. Os vagões também têm transportado para o Centro-Oeste e Oeste paranaense insumos, entre eles calcário para a região de Guarapuava, produzido na Região Metropolitana de Curitiba. Segundo a direção da Ferropar, em futuro breve deve ser transportado também combustível, que abastecerá uma base que a Petrobrás implantará em Cascavel.


