Londrina

Dorico da SilvaProblemas ao ladoO empresário Edno Gonçalves e o incômodo vizinho: ‘O dono diz que ferro-velho é mesmo assim’Caçambas de tamanhos irregulares cercando o quarteirão, tirando a visibilidade dos motoristas, dificultando o trânsito e favorecendo acidentes. Pedaços de ferro espalhados pelas ruas e em cima das calçadas, furando os sapatos de pedestres e os pneus dos carros. Quem mora ou trabalha perto do Ferro-Velho Batista, na rua Padre Antônio Vieira, jardim Shangri-Lá (zona oeste), passa por isto todos os dias, segundo o dono da Transportadora Falcão, Edno Moreira Gonçalves.
‘‘Já tentamos de tudo: diálogo e até abaixo-assinado, mas nada resolveu. O dono do ferro-velho continua usando a calçada e rua como se fossem parte da empresa dele’’, reclama. Gonçalves afirma que a empresa não tem atendido nem mesmo as notificações da Companhia Municipal de Urbanização (Comurb).
O Ferro-Velho Batista fica nos fundos da Transportadora Falcão, local que dá acesso ao pátio da transportadora, por onde entram os funcionários e caminhões. ‘‘É comum eles colocarem até partes de caminhões ainda não desmanchadas na calçada, fechando a rua’’, diz o dono da transportadora. Gonçalves acrescenta que, a continuar assim, algum acidente grave pode acontecer.
‘‘Para sair do pátio da transportadora precisamos levar o carro praticamente até o meio da rua para ter visibilidade da pista. Uma hora ou outra alguém vai acabar batendo ou atropelando um motoqueiro’’, ele alerta. Segundo o dono da transportadora, os problemas começaram há cerca de dois anos. Gonçalves acredita que a empresa vizinha começou a crescer e, sem espaço, decidiu utilizar a rua.
O ferro-velho também vem colocando em risco a saúde de quem trabalha no bairro. Recentemente começaram a aparecer muitos pernilongos na empresa e a transportadora acionou a Fundação Nacional de Saúde (Funasa) para uma vistoria. Gonçalves conta que a Funasa identificou no local mosquitos Aedes aegipty, transmissores da dengue. Gonçalves diz ainda que foi feita a dedetização do ferro-velho, mas a própria Fundação alertou que o estabelecimento precisava ser reestruturado para deixar de oferecer riscos.
‘‘A situação é séria e não tem negociação possível com o dono’’, afirma. Gonçalves diz que o vizinho de fundos sempre responde que ‘‘ferro-velho é assim mesmo’’ e não faz nada para resolver o problema. A assessoria de imprensa da Comurb informou ontem à reportagem da Folha que pretende acionar judicialmente a empresa Ferro-Velho Batista por não cumprimento da lei. A Comurb confirma que a empresa foi notificada várias vezes, sem solução.
O dono da empresa Ferro-Velho Batista, José Valdir Batista, garantiu ontem que vai limpar as ruas até o final da semana. ‘‘Já começamos e, se não chover, as ruas vão ficar limpas antes de sexta-feira’’, disse. Batista não quis comentar as reclamações dos vizinhos.

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