Ferro-velho gera polêmica em Maringá
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quarta-feira, 28 de janeiro de 2009
Caroline Vicentini<br> Equipe da Folha 
Maringá - Uma lei municipal em Maringá (Noroeste) reacendeu a polêmica sobre se o ferro-velho causa poluição visual. A prefeitura passou a exigir que esses estabelecimentos ergam muros de, no mínimo, 2,5 metros. Em Londrina, onde não há nenhuma regulamentação sobre o assunto, a exigência divide opiniões tanto dos proprietários quanto dos vizinhos. A maioria dos ferros-velhos concentra-se na Avenida Dez de Dezembro, uma das principais vias da cidade. "Acho que a lei não pegaria aqui. A tela de proteção permite que o cliente veja a peça que está procurando. Também acredito que os ferros-velhos não causem uma impressão ruim", opina o funcionário de um ferro-velho, Cricharly Amando dos Santos.
A proprietária de um outro estabelecimento, Lúcia Pereira, também acredita que o muro prejudicaria o comércio das peças. "O meu foco são peças de caminhonete. O cliente tem interesse específico", argumenta. Em meio a grande e variada quantidade de materiais, Lúcia reconhece que é difícil manter a ordem neste tipo de estabelecimento. Porém, faz o possível para deixar tudo limpo e organizado. "Mantemos os carros em estaleiros justamente para deixar espaço embaixo para que as pessoas circulem. Também evitamos o acúmulo de água parada para que o mosquito da dengue não se prolifere", afirma.
Com um muro de mais de 2,5 metros de altura cercando o estabelecimento -construído para dificultar a ação dos ladrões- João Paulo Cesar Ignácio Alves concorda com a construção para diminuir a poluição visual. "Precisamos deixar a cidade mais bonita", defende. Alves afirma que tenta deixar o ferro-velho organizado "na medida do possível". Notificado por agentes da Saúde que combatem a dengue, o comerciante agora orienta os funcionários a eliminarem água parada. "Para cuidar do bolso preciso evitar a pocinha", reconhece.
Vizinhos
"Concordo com a construção do muro. Os ferros-velhos são muito feios. Os carros ficam nas calçadas. Também defendo a colocação de cobertura, já que estes estabelecimentos acumulam água e propiciam o desenvolvimento de focos do mosquito da dengue", expõe o proprietário de uma loja de churrasqueiras, Sidney Porphirio dos Santos. "Estes ferros-velhos precisam sair do Centro e ir para a periferia", sugere o funcionário público David Konosale Pivi.
A lei determina que locais onde estão instalados ferros-velhos e terrenos para recebimento de sucatas devem ser fechados em todos os lados com muros de, no mínimo, 2,5 metros. Segundo o chefe de gabinete da Prefeitura de Maringá, Ulisses Maia, a maioria destes lotes possui apenas tela de proteção, deixando o material exposto. "Estes estabelecimentos agridem visualmente, e, seguindo normas modernas de urbanismo, a alteração na estrutura física destes terrenos pretende diminuir a poluição visual", explica. De acordo com Maia, após notificados pelos fiscais, os proprietários têm até 90 dias para se enquadrarem à nova legislação. Caso não cumpram a determinação, será cobrada multa de R$ 400, que pode ser dobrada a cada nova notificação. A lei também prevê a interdição do estabelecimento. Segundo o chefe de gabinete, 15 donos de ferros-velhos já foram notificados.


