Ferro-velho conta histórias de acidentes aéreos
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 17 de março de 2014
Paulo Monteiro<br>Equipe NossoDia 
Londrina e região contam com dezenas de ferros-velhos, porém nenhum igual ao localizado no Jardim Pizza, na zona sul da cidade. Entre as esquinas das ruas Paris e Roma, ele virou o principal ponto de referência do bairro. E não é pra menos: é o único que tem na fachada um avião pendurado a metros do chão. O curioso no ferro-velho "Navajo" é que as carcaças de lata contam histórias trágicas de acidentes aéreos registrados no Norte do Paraná.
A reportagem teve acesso aos restos de aeronaves guardados no local. Escondido num cantinho quase não dá para saber que o amontoado de alumínio retorcido já foi uma aeronave Bonanza B-36. O avião sofreu um acidente há sete anos e, na queda, duas pessoas perderam a vida. A aeronave havia saído de São José do Rio Preto (SP) e a cerca de 10 km do Aeroporto de Londrina, o seu destino, enfrentou um forte nevoeiro. Acabou batendo contra um morro e explodindo.
O avião pendurado há mais de 15 anos na fachada do ferro-velho é o único que permanece no "ar", mesmo sem asas e sem hélices. De acordo com o sócio do estabelecimento, Willian Santos, a aeronave da marca Navajo acabou emprestando seu nome ao estabelecimento.
"O avião é um bimotor que foi comprado após um pouso forçado. No acidente, ele teve o bico danificado. Como acabou virando na queda, também a cauda acabou destruída", conta Santos. "Antes de vender, os donos retiraram os motores e os aparelhos e ele foi comprado num lote de ferramentas. Ainda tinha asas e hélices, mas foram vendidas", completa.
No local há também a fuselagem de um avião turboélice Brasília, da Embraer. "Esse é o único que não saiu de voo por causa de acidente. Ele já havia cumprido o seu tempo de uso e foi aposentado."
Fama
Santos diz que o ferro-velho ganhou fama e é procurado por gente de todo o Brasil interessada em comprar e vender objetos ligados a aviões. "Hoje as pessoas nos procuram tanto pra vender aviões e peças, como para comprar o que temos aqui", aponta. Os últimos interessados que apareceram por lá queriam levar o Navajo da fachada do ferro-velho. "Ele tem um bom valor comercial. Já apareceram vários interessados. Esses dias mesmo veio um grupo do Aeroclube de Joinville (SC) nos procurar. O objetivo eles é montar um simulador de voo dentro desse avião, mas meu sogro não aceitou vender por menos de R$ 15 mil e o negócio ainda não foi fechado."


