Barulho de serra que começa de manhã e só termina altas horas da noite. Um pó constante, que invade casas e repousa sobre mesas e nos pulmões de moradores. Além disso, muito lixo e fumaça de borracha queimada. Baratas, aranhas e até ratazanas. Chorume escorrendo pela rua. Este é o drama que moradores da Rua Ivaí, na Vila Nova, área central de Londrina, dizem estar vivendo há pelo menos quatro anos, sem que ninguém até agora tenha tomado qualquer atitude.
A poluição, segundo os moradores, é causado pelo Ferro-Velho Vergoti. O negócio, porém, seria muito maior do que a simples compra e venda de peças de carro usadas. Os comerciantes teriam transformado o local numa verdadeira usina de reciclagem de lixo, atividade que só poderia ser operada num distrito industrial.
De quatro anos para cá, os moradores já fizeram abaixo-assinado, procuraram a Câmara dos Vereadores e mandaram reclamações para a prefeitura. Tudo em vão. Na última sexta-feira, acompanhados pela vereadora Elza Correa (sem partido) e munidos de fotos e de um novo abaixo-assinado, um grupo dos moradores resolveu levar o assunto para a Promotoria do Meio Ambiente.
‘‘A gente é obrigado a sair de manhã de casa e só voltar à noite. Não dá para aguentar o barulho. É o dia inteiro e, às vezes, até final de semana desse jeito’’, disse revoltado o morador Francisco Garcia, 74 anos, que mora ao lado do ferro-velho com a mulher Ângela Morena Garcia, 72 anos.
Neide Ferreira Lopes, 42 anos, também vizinha, disse que o chorume que escorre pela rua é provocado por uma máquina de prensar latinhas de alumínio. ‘‘O líquido que sobra da prensagem vai para rua sem tratamento, provocando sujeira e mau cheiro’’.
‘‘Diariamente, diversos caminhões e carroças encostam para descarregar lixo ou carregar material reciclado. Não raro, ficam atravessados na rua’’, disse Neide, que mora com os dois filhos e a mãe de 71 anos.
A promotora do Meio Ambiente, Maria Lúcia Reichenbach, encaminhou à prefeitura pedido de informações sobre a situação legal do ferro-velho para saber se ele tem licença para exercer a atividade atual. Além da prefeitura, a promotora solicitou ao Instituto Ambiental do Paraná (IAP) análise de laboratório do lixo e do chorume. Exame do Instituto de Criminalística comprovou poluição sonora. O nível do ruído no ferro-velho foi de 72 decibéis, 12 a mais que o permitido.
Maria Lúcia pretende notificar o proprietário do ferro-velho para que ele faça somente as atividades previstas no alvará de licença.

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