Uma lei municipal em Maringá (Noroeste) reacendeu a polêmica sobre se o ferro-velho causa poluição visual. A prefeitura passou a exigir que esses estabelecimentos ergam muros de, no mínimo, 2,5 metros. Em Londrina, onde não há nenhuma regulamentação sobre o assunto, a exigência divide opiniões tanto dos proprietários quanto dos vizinhos.
A grande maioria dos ferros-velhos concentra-se na Avenida Dez de Dezembro, uma das principais vias da cidade. ''Acho que a lei não pegaria aqui. A tela de proteção permite que o cliente veja a peça que está procurando. Também acredito que os ferros-velhos não causem uma impressão ruim'', opina o funcionário de um ferro-velho, Cricharly Amando dos Santos.
A proprietária de um outro estabelecimento, Lúcia Pereira, também acredita que o muro prejudicaria o comércio das peças. ''O meu foco são peças de caminhonete. O cliente tem interesse específico'', argumenta. Em meio a grande e variada quantidade de materiais, Lúcia reconhece que é difícil manter a ordem neste tipo de estabelecimento. Porém, faz o possível para deixar tudo limpo e organizado. ''Mantemos os carros em estaleiros justamente para deixar espaço embaixo para que as pessoas circulem. Também evitamos o acúmulo de água parada para que o mosquito da dengue não se prolifere'', afirma.
Com um muro de mais de 2,5 metros de altura cercando o estabelecimento - construído para dificultar a ação dos ladrões - João Paulo Cesar Ignácio Alves concorda com a construção para diminuir a poluição visual. ''Precisamos deixar a cidade mais bonita'', defende. Alves afirma que tenta deixar o ferro-velho organizado ''na medida do possível''. Notificado por agentes da Saúde que combatem a dengue, o comerciante agora orienta os funcionários a eliminarem água parada. ''Para cuidar do bolso preciso evitar a pocinha'', reconhece.
Vizinhos
''Concordo com a construção do muro. Os ferros-velhos são muito feios! Os carros ficam nas calçadas. Também defendo a colocação de cobertura, já que estes estabelecimentos acumulam água e propiciam o desenvolvimento de focos do mosquito da dengue'', expõe o proprietário de uma loja de churrasqueiras, Sidney Porphirio dos Santos. ''Estes ferros-velhos precisam sair do Centro e ir para a periferia'', sugere o funcionário público David Konosale Pivi.
Residindo em frente a dois ferros-velhos, a dona de casa Vera Lucia Bicudo Zava não se sente incomodada. ''Eles já estão em meio à sujeira, com o muro ficaria mais abafado e pioraria as condições de trabalho deles'', raciocina. O recuperador Ronaldo Agapito discorda da proposta da lei. ''Os ferros-velhos precisam mostrar seus produtos. Não é uma agressão visual. As pessoas sabem que esta avenida concentra este tipo de comércio mesmo'', justifica.

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