Há um mês, a Justiça paraguaia procura o brasileiro dono de uma Ferrari vermelha - um dos veículos mais caros e exclusivos do mundo -, que foi roubada no Brasil no final de julho e recuperada pela Polícia Nacional em Ciudad del Este no início de agosto. A Ferrari é avaliada em R$ 300 mil, equivalente a 30 Uno Mille, da Fiat, o veículo mais barato à venda no Brasil atualmente.
Depois de concluir suas investigações - sem descobrir o dono -, no dia 10 de agosto a Polícia Nacional remeteu os papéis do caso ao Palácio de Justiça, sede do Poder Judiciário em Ciudad del Este.
O processo está a cargo de dois juízes: Victor Benítez Bogado e Ayala Valmaris. Ontem à tarde, a Folha telefonou para o Palácio de Justiça, mas o órgão só dá expediente até às 14 horas (13 horas no Brasil).
Segundo Rafael Almirón, secretário de relações públicas da Polícia Nacional, já há ‘‘candidatos’’ a retirar o veículo, mas a Justiça ainda não concluiu a checagem dos documentos apresentados por eles.
No período em que a Ferrari permaneceu na Polícia Nacional, um comerciante libanês que mora em Ciudad del Este, cujo nome não foi divulgado, apresentou-se como dono do veículo. Os documentos que ele apresentou foram enviados à Justiça.
A Ferrari que espera pelo dono é vermelha - cor preferida pelos compradores -, ano 95, modelo esportivo de duas portas. A polícia paraguaia informou que um veículo com essas características foi roubado durante um assalto em Londrina, no final de julho.
Por meio de uma denúncia anônima, o carro foi encontrado no dia 5 de agosto, na casa do comerciante Mario Zacarias Gimenez, de 44 anos, no bairro São José, em Ciudad del Este (cidade separada de Foz do Iguaçu apenas pelo Rio Paraná). O comerciante fugiu antes de a polícia chegar à sua casa e até ontem não havia sido preso.
O empresário Clever Assad Nabhan, de Londrina, havia garantido em entrevista à Folha que a Ferrari encontrada em Ciudad del Este era dele. O veículo fora roubado em assalto, no início de julho, por três homens armados de revólveres.
O roubo aconteceu à noite, na Avenida Brasília. Nabhan contratou investigadores particulares de Ponta Porã (MS) para tentar localizar o veículo, porque tinha poucas esperanças que a polícia o encontrasse.
Um dos investigadores teria sido um libanês que se apresentou à Polícia Nacional do Paraguai como proprietário do veículo roubado. A Ferrari não tinha seguro.
Ontem, o empresário Clever Assad Nabhan foi procurado pela Folha. Sua secretária informou que ele não faria mais comentários à respeito do roubo da Ferrari.

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