Londrina – Um documento simples promete auxiliar o combate à mortalidade materna em Londrina. O Cartão da Gestante, disponível nas unidades básicas de saúde, funciona como um "prontuário de bolso" em que os profissionais anotam as principais informações referentes às pacientes e deve servir de referência para eventuais atendimentos de urgência ou emergência. No entanto, o uso do documento ainda encontra resistência entre gestantes e profissionais das redes pública e particular de saúde.
O Comitê de Prevenção da Mortalidade Materno-Infantil de Londrina aposta em uma campanha de conscientização sobre a importância do uso do cartão, numa tentativa de reduzir o número de mortes registradas na cidade. Entre 2010 e 2012, o índice no município foi de 42 óbitos maternos para cada 100 mil crianças nascidas vivas. Porém, essa proporção apresentada na taxa de mortalidade deve permanecer abaixo de 20 óbitos, conforme recomendação da Organização Mundial de Saúde (OMS).
A coordenadora do Comitê de Prevenção da Mortalidade Materno-Infantil de Londrina, Christiane Liberatti, explicou que em municípios de pequeno e médio porte os números são calculados a cada três anos. O comitê acompanha os índices mensalmente e investiga as causas de morte de mulheres em idade fértil, entre 11 e 49 anos. "Existe, no geral, uma subnotificação muito grande de morte materna. Muitas mães morrem, mas no atestado de óbito o médico coloca, por exemplo, pneumonia ou outra causa e não menciona que ela estava grávida ou que estava no período de até 45 dias após o parto. Além disso, a gente calcula essa taxa considerando nascimentos e não gestações.
Há mais ou menos de 50 a 70 óbitos fetais por ano que não entram nesse cálculo", destacou.
Em 2013, apenas um óbito materno foi registrado em Londrina. No ano passado, quatro mulheres morreram e passaram a fazer parte desta estatística. No Paraná, a taxa de mortalidade materna entre 2010 e 2012 foi de 49,7. No Brasil, o índice chegou a 56,6 óbitos para cada 100 mil nascidos vivos. O País havia se comprometido junto a Cúpula do Milênio a reduzir o número de mortes em 75%. No entanto, desde 2000 quando as Nações Unidas estabeleceram os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, a diminuição foi de 43%.
"O prontuário informatizado só resolve se for único. Nós não temos prontuário único [com a rede pública e particular] nem em Londrina e nem no Brasil. Se a gestante faz uma consulta particular aqui, viaja, passa mal e vai para um pronto-socorro público em São Paulo, por exemplo, se ela está com o Cartão de Gestante, ela já leva todas as anotações da última consulta. A mesma coisa acontece quando uma paciente é atendida no consultório particular e depois procura o pronto-socorro de um hospital público. Isso descentraliza a informação e melhora a assistência às mães", reforçou Christiane. Mesmo após a gestação, o ideal é que as pacientes guardem as anotações para consultas futuras.
O ginecologista e obstetra Evaldir Bordin Filho, que também faz parte do comitê, ressaltou que o cartão preenchido da forma correta pode trazer informações que favorecem o atendimento mais eficaz e de qualidade. "O documento é bem completo e traz desde os antecedentes obstétricos, resultados de exames, como indicadores de hipertensão e diabetes, por exemplo. Assim, a gente não tem distorções na informação. Não há tanta resistência entre os profissionais e, com a divulgação, novos poderão aderir ao preenchimento do cartão", afirmou. O Cartão de Gestante pode ser solicitado de forma gratuita nas unidades básicas de saúde.

mockup