Férias sem dengue
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sábado, 04 de janeiro de 2014
Micaela Orikasa<br>Reportagem Local 
Londrina - O cuidado com a segurança da casa na hora de sair em férias se estende também ao mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue. Isso porque com a expectativa para a viagem é comum as pessoas se esquecerem desse detalhe tão importante.
Antes de pegar a estrada, mesmo que a ausência seja por poucos dias, é preciso vistoriar todo o quintal se certificando que não há nenhum objeto exposto que possa acumular água. Entre os locais de maior risco estão os vasos de plantas, calhas, pneus, reservatório de água para animais, materiais descartáveis e demais recipientes.
Vale lembrar também que as piscinas e caixas dágua precisam estar bem vedados e cobertos. Dentro de casa, a preocupação é com os ralos e vasos sanitários. A gerente municipal da Vigilância Ambiental, responsável pelo setor de Endemias, Mirna Germiniano, orienta a população a colocar um tapete ou plástico nos ralos, para evitar que a água parada seja um potencial criadouro.
"Nos vasos sanitários, o ideal é colocar uma colher de água sanitária e mantê-los fechados. Muitas pessoas pensam que com a casa fechada o mosquito não entra, mas qualquer fresta é uma oportunidade, pois a fêmea precisa depositar os ovos e vai procurar qualquer lugar com água parada", ressalta Mirna.
Ao retornar de viagem, também é importante fazer uma vistoria no quintal, com atenção para as calhas, que podem estar entupidas. Segundo Mirna, nos meses de férias os agentes de Endemias encontram muitas residências fechadas e, por isso, já mantêm um cronograma de retorno, com base também em informações de vizinhos. "Esse procedimento de recuperação é de rotina, mas nesse período a demanda aumenta", diz a gerente, salientando que os agentes são orientados a dar todas as instruções à população.
Segurança
A merendeira Andréa Ferreira Machado afirma que, ao sair em viagem, sempre conta com a mãe ou o sogro para fazer a segurança e a limpeza da casa. "Depois que minha vizinha faleceu há um ano, vítima de dengue hemorrágica, eu não descuido mais. Não tenho plantas em casa e faço a limpeza e a troca da água do recipientes dos cachorros, diariamente", completa.
A dona de casa Vera Lúcia Fernandes conta que o marido já teve dengue e, por isso, o quintal da casa é sempre limpo. "A cada 40 dias o jardineiro corta a grama, mas a cada chuva elimino qualquer água parada. Como estamos com a casa em construção, não dá para esquecer das lonas, tijolos, baldes. Além disso, minhas plantas não têm mais pratinhos. Assim, a dengue não vem", afirma.
Andréa e Vera são moradoras da região leste, onde no último Levantamento Rápido do Índice de Infestação por Aedes aegypti (Lira) realizado em outubro do ano passado, uma incidência de 2,18%, sendo o preconizado pelo Ministério da Saúde inferior a 1%. Em relação às notificações, lideram os bairros Marabá, Santa Fé e Novo Amparo.
O Lira também apontou a região central com 1,64%, a zona oeste com 1,49%, seguida da Norte, com 1,41% e, por último, a região sul, com 0,98%. Um novo levantamento está previsto para ser realizado entre os dias 6 e 10 de janeiro.
De acordo com o setor de Endemias, até o dia 30 de dezembro Londrina havia registrado 7.934 notificações e 1.193 casos de dengue confirmados, sendo 12 com complicação e 6 de febre hemorrágica. Não houve óbito.
Exames
A responsável pelo Setor de Endemias salienta que desde novembro o número de notificações aumentou em todo o município, porém, menos da metade dessas pessoas retorna às Unidades Básicas de Saúde (UBS) para colher o exame de sorologia.
Segundo ela, neste período são registradas cerca de 130 notificações por semana, ou seja, 520 em um mês. Destes, apenas 40% seguem com os exames até o final. "Esse exame é que irá confirmar se a pessoa teve dengue ou não. Uma vez que a pessoa foi na UBS com suspeita de dengue, é preciso realizar vários exames para saber se não há nenhuma complicação hemorrágica, mas o específico só deve ser realizado no 6º ou 7º dia", explica.
O problema, ainda de acordo com Mirna, é que geralmente neste período os sintomas já acabaram. "A pessoa não sente mais aquele mal-estar e não vai mais ao posto de saúde", completa. Vale sempre lembrar que apresentando dois ou mais sintomas como febre, dor muscular, dor de cabeça, dor nos olhos ou articulações e náusea, é preciso procurar a UBS mais próxima e ingerir sempre muito líquido.


