Todo mês de dezembro era a mesma história: o dia do aniversário da cidade era feriado ou não? A discussão começava uma semana antes. Alguns diziam que 8 era o dia da padroeira e então, o feriado tão esperado. Outros discordavam. Dia 10 era sim a data escolhida, pois foi neste dia que aconteceu a emancipação do município.
Os jornais ficavam perdidos. Mostravam a polêmica, relembravam os fatos e publicavam notícias sobre o aniversário nas duas datas. Já os empresários pensavam no lado econômico do ''negócio''. Seja 8 ou 10, o importante é ganhar dinheiro no dia. Principalmente porque dezembro sempre foi época de festas, do 13º salário e consequentemente, do mês do consumo. Feriado para quê? diziam alguns comerciantes insaciáveis.
A Igreja não ligava para aquilo tudo. Rezava e abençoava a todos em ambas datas, sem entrar no mérito da questão. Os políticos aqueles que fazem as leis e tentam comandar o rumo de todos faziam o velho jogo do empurra-empurra. Precisavam do apoio dos empresários, não queriam ''arranhar'' a relação com a Igreja e sabiam da necessidade de mostrar civismo à população. Não por ética, mas sim por causa dos votos. Aprovaram até uma lei, que conclamava o dia 8 como feriado municipal. Mesmo assim, na prática, o trabalho era para muitos naquele dia tão santo para a comunidade.
A confusão então se armava todo início de dezembro. Foram 68 anos do mesmo jeito. A população atônita, não sabia mais nada, nem de datas, muito menos de feriados. Alguns estranhavam o fato de uma cidade daquele porte não festejar a data com um descanso merecido. Outros procuravam nos livros, algum outro município que não concedia o tal benefício na data de seu aniversário. Mas não havia.
Os dias iam passando, a discussão amenizava-se e dezembro enfim, findava-se. Mais uma vez, como em todo ano, a cidade comemorava. Mas o feriado ficava sempre para ser discutido no próximo ano, ou melhor, no próximo mês de dezembro.

mockup