Adriana De Cunto
De Londrina
Feriado no calendário de Londrina, dia ‘‘normal’’ no Calçadão da Avenida Paraná, um dos locais mais agitados do centro da cidade e tradicional ponto de encontro de todo o tipo de gente: aposentados, políticos, profissionais liberais, agricultores e pecuaristas. Lojas abertas, muita gente olhando vitrine, comprando, operários da construção abrindo e fechando buracos em um dos principais cartões-postais da cidade que completa amanhã 65 anos.
Muito londrinense acordou ontem sem saber se era feriado ou não. ‘‘Nem sei que feriado a gente comemora hoje’’, comentou um transeunte que pensava ser o aniversário da cidade, antecipando em dois dias a festa. Mas arriscou depois o palpite certo: Dia da Padroeira, a Imaculada Conceição.
Para os frequentadores do Calçadão – aqueles que ‘‘batem cartão’’ todos os dias no lugar, juntando-se em diversas ‘‘rodinhas’’ onde tudo se discute – é um dia como outro qualquer. Só que em todos os grupos, um assunto é sempre obrigatório: a cidade de Londrina. Seja no seu aspecto político, de segurança, saúde, crise, falta de emprego ou as mulheres bonitas que passam pelo Calçadão.
Os agropecuaristas Risolando Sucupira, 73 anos, e Ismael Salim, 69 anos, discutiam sobre a evolução da cidade e tinham diferente opinião a respeito. Saudosista, Sucupira, gosta mais da Londrina antiga, de 28 anos atrás, quando aqui chegou vindo de Uberaba (MG). ‘‘Mudou para pior. Não tinha ladrão, não tinha gente pedindo na rua. É claro que alguns pontos melhoraram. Mas antigamente a gente podia até dormir com o apartamento aberto’’.
Para Salim a qualidade de vida melhorou muito e o aspecto da cidade é muito bom. ‘‘Quando eu cheguei aqui não tinha nem prédio’’, respondeu ao companheiro de bate-papo. ‘‘Eu preferia aquela época’’, insistiu Sucupira. ‘‘Mas é porque você está ficando velho’’, encerrou Salim.
A poucos metros dali, o corretor Emílio Carniato, 50 anos, e o ex-prefeito de Ibipor㠖 agora morador de Londrina – Francisco Deliberador Neto, 67 anos, discutiram a abertura do comércio no tradicional feriado da padroeira. ‘‘O comércio deve abrir sempre que o comércio quiser. É bom para o comércio e me admira os sindicatos ficarem brigando por isso’’, defendeu Deliberador Neto.
Emílio Carniato concordou, mesmo porque ele gosta de ver a agitação do comércio. Tanto que elegeu o Catuaí Shopping Center (zona sul) o seu lugar preferido em Londrina. ‘‘Eu sinto orgulho de ser londrinense quando vou até lá. É um lugar bonito, bem frequentado’’, elogiou.
Apesar de ir diariamente ao Calçadão, ele confessou que não gosta do lugar. Só vai até lá para manter-se informado. ‘‘Se a gente quiser saber o que está acontecendo no Japão, na França, a gente vem aqui que sempre tem alguém que sabe. Se a gente quer saber quanto está a saca de café em Minas Gerais, é só vir para cá. O Calçadão é melhor que televisão’’, brincou.
Morador da cidade desde a década de 50, ele acredita que Londrina mudou muito e para melhor. ‘‘Para ir à Vila Nova em 52, a gente tinha que marcar um dia, porque se chovesse, não dava para ir. Não tinha um metro de asfalto. Se tivesse que comprar um quilo de batata, tinha só a venda do Português (na Avenida Duque de Caxias). Hoje tem um monte de supermercados’’, comparou.
Os agricultores Antenor Pasello, 68 anos, e Luis Barbieri, 67 anos, não querem saber de outro lugar no mundo. ‘‘Adotei Londrina como cidade do coração’’, resume Pasello, que veio de Bela Vista do Paraíso para cá com a família no início da década de 70. ‘‘A cidade cresceu para melhor em todos os sentidos’’, afirmou Barbieri. Ele se mudou de Sertanópolis para cá há 20 anos a fim de facilitar o estudo dos filhos.Abertura do comércio, no Dia da Padroeira, movimenta o centro da cidade
Fotos Dorico da SilvaPONTO DE ENCONTROEnquanto o comércio aproveita para aumentar as vendas, frequentadores do Calçadão colocam as conversas em dia; Salim e Sucupira (ao lado) discutem a evolução da cidade; abaixo, engraxates em busca de serviço e operários no ‘batente’César AugustoCalçadas da Rua Sergipe também ficaram lotadas: oportunidade

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