Osmani Costa
De Londrina
Ontem foi uma segunda-feira especial em Londrina. Dia da proclamação da preguiça poderia ter sido um apelido perfeito para mais este feriado nacional de fim de ano. Sem o movimento dos milhares de automóveis dos dias comuns, as ruas do centro da cidade estiveram transitáveis. Sem o funcionamento das lojas centrais, agências bancárias, escolas e repartições públicas, as calçadas e o Calçadão da Avenida Paraná estiveram à disposição de poucos transeuntes.
A temperatura amena, com uma brisa soprando leve, foi propícia para passeios em parques, praças, pesque-pagues e clubes sociais. Isto na parte da tarde, porque pela manhã toda a cidade ficou semideserta; como naqueles cenários de filmes de faroeste antigos. As pessoas demoraram para acordar, tomar café da manhã, almoçar e criar coragem para sair de casa. A maioria preferiu viajar ou curtir este último feriado prolongado do ano – já que o Natal será em um sábado – bem devagar, com toda a preguiça possível e necessária para se evitar qualquer cansaço.
E foi um final de semana também atípico pela tranquilidade que reinou em Londrina. Nenhum homicídio, nenhum acidente grave, nenhum incêndio com vítima, nenhum assalto violento. Bem diferente dos anteriores, bastante próximo do que reivindica e merece a população londrinense.
Na parte da tarde, uma boa quantidade de famílias inteiras saiu para os passeios. As mais humildes foram ao Zerão e ao Lago Igapó 1, na área central. As crianças e jovens aproveitaram para se refrescar nas poluídas águas do lago – principal cartão-postal da cidade –, notadamente nas proximidades da barragem. ‘‘A gente vem sempre aqui; as crianças gostam muito. E também não temos mesmo outras opções de lazer gratuito’’, comentou a auxiliar de enfermagem Elides da Silva Mello, que foi com o marido, João Batista, e dois filhos passearem na margem do lago artificial.
As pessoas da classe média preferiram os clubes sociais. Quadras, campos de futebol e piscinas do Iate, Canadá, Grêmio e outros clubes receberam bom número de sócios. Quem não estava interessado em tomar sol, nem em fazer esforço físico – e tinha algum dinheiro para gastar –, foi ao único shopping da cidade que funcionou ontem: o Catuaí. O estacionamento ficou lotado de carros vindos de dezenas de cidades diferentes, inclusive de outros estados. Os corredores estiveram repletos de usuários, poucos interessados em comprar. A maioria, pode-se constatar, foi mesmo para tomar sorvete, encontrar amigos e passear. A praça da alimentação e parque com jogos eletrônicos ficaram cheios.
‘‘A gente vem aqui desde a inauguração do shopping, há quase dez anos. É a melhor opção para se passear com uma criança em segurança’’, disse a dona de casa Helena Issa, que estava acompanhada do marido Kalil e do com o filho Otávio, que tem um ano e oito meses de idade. Ela ressaltou que ir ao Catuaí já se tornou um hábito, faz parte da rotina da família, que reside no centro da cidade.
O contador Carlos Fugi, que também mora em bairro da área central, não foi comprar nada ontem no shopping. ‘‘Viemos para passear, relaxar um pouco, aproveitar o feriadão’’, contou ele, que estava tomando sorvete com os filhos Robson e Douglas. ‘‘Aquela violência no Shopping Morumbi, em São Paulo, com três mortos dentro do cinema, deixa a gente apreensivo, com um pouco de medo. Mas acho que aqui é bem mais seguro, não deve acontecer nada parecido.’’Visita às lojas em funcionamento, ontem, foi opção para os londrinenses, que tiveram uma segunda-feira de descanso e passeios
O dia, ontem, foi também de passeio nos corredores do Catuaí Shopping Center. Carros de outras cidades lotaram as áreas de estacionamentoHelena Issa, o marido Kalil e o filho Otávio, de um ano e oito mesesMais banho nas águas do Igapó, local de pessoas sem outra opção de lazerO contador Carlos Fugi e os filhos Robson e Douglas: sorvete e preocupação com a segurança por causa do epsódio do Shopping Morumbi, em São Paulo

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