O Sindicato dos Empregados no Comércio de Londrina divulgou ontem, no meio de uma polêmica com o sindicato patronal, a tabela com os horários de trabalho até o próximo dia 24, quando se encerra a carga horária diferenciada para o Natal. A partir de hoje, as lojas funcionam das 8 às 22 horas nos dias de semana, e das 9 às 18 horas aos sábados. No dia 21, um domingo, o comércio abre das 9 às 17 horas. O dia de trabalho será compensado em 23 de fevereiro, segunda-feira de Carnaval.
A polêmica é grande porque os proprietários das lojas querem expediente normal no dia 10, aniversário de Londrina. O Sindicato dos Empregados se ampara na Lei Municipal 9.005, de 20 de dezembro de 2002, que estipulou feriado para a data. Nos anos anteriores, a comemoração era mesclada ao dia da Imaculada Conceição, celebrado em 8 de dezembro, até então considerada padroeira da cidade. As duas datas eram comemoradas em um dia.
Entretanto, neste ano, o Sagrado Coração de Jesus, cuja data é comemorada em junho, foi reconhecido como o padroeiro de Londrina. ''Com a mudança, acho que o aniversário deve ser respeitado'', disse ontem José Lima do Nascimento, presidente do Sindicato dos Empregados.
As entidades que representam os comerciantes não concordam com o argumento e ainda tentam fazer com que as lojas abram no dia 10. Segundo informações da secretaria do Sindicato do Comércio Varejista de Londrina (Sincoval), as negociações com os empregados ainda não foram encerradas. A proposta dos patrões era de que houvesse expediente no dia do aniversário, e as horas trabalhadas fossem compensadas em março. O Sindicato recusou a oferta. O Sindicato dos Empregados em Shopping Centers de Londrina (Sindshopping) ainda está consultando os associados para decidir se abrirão as portas no dia 10.
O presidente da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil), David Dequêch Neto, fez ontem duras críticas à posição dos empregados de não trabalhar no feriado. ''Lamento a estupidez e a falta de sensibilidade dos integrantes do Sindicato (dos empregados). Eles pensam de forma muito antiquada'', acusou.
José Lima do Nascimento qualificou as declarações de Dequêch como ''lamentáveis''. ''É molecagem. É profundamente lamentável que isso parta de alguém com um cargo de tamanha importância como a presidência da Acil'', afirmou ele.
Segundo Dequêch, a diretoria da Acil está ''estudando medidas'' para fazer com que o comércio abra no feriado, mas o presidente não quis dar detalhes sobre o assunto. Por sua vez, o Sindicato dos Empregados enviou um ofício ontem à tarde para a prefeitura, para requerer fiscalização no dia 10 e impedir que as lojas funcionem.

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