Feriado cria clima e aproxima as famílias
Osmani Costa
De Londrina
Foi, da manhã à noite, um típico dia de feriado. Daqueles preguiçosos, com poucas pessoas e raros automóveis circulando pelas ruas centrais de Londrina. Como o feriadão foi prolongado, muita gente deve ter viajado. A cidade ficou vazia. Até o clima colaborou com a vontade de não fazer nada. De manhã, apesar do Sol, soprava um ventinho meio frio. Os adultos e idosos chegaram a usar blusas.
As crianças demoraram para sair de seus apartamentos e casas em busca de diversão. Talvez tenha sido porque, depois de três dias sem a escola e outros compromissos, elas já estivessem cansadas. Ou com saudades da volta à normalidade. A prefeitura não promoveu festa para comemorar a data. As escolas públicas e privadas também não organizaram evento de maior porte. As iniciativas ficaram por conta de moradores de bairros e associações de trabalhadores.
Nas praças e parques públicos, o movimento foi razoável à tarde. O número de visitantes ao Parque Arthur Thomas (zona sul), o maior da cidade, ficou abaixo do esperado. No Bosque, o espaço mais central, a presença de usuários foi quase insignificante. O movimento foi mais intenso no Zerão e na margem do Lago Igapó (área central).
No Zerão, o espaço mais disputado pelas crianças com mães, pais e tios à tiracolo era o do parquinho, além das quadras e campos de futebol. O comerciante Josué Vieira da Silva, que mora na zona oeste, foi ao Zerão brincar de bola com o filho Bruno, 7 anos. A gente que trabalha com vendas e no comércio tem pouco tempo para ficar com as crianças. Então, estou aproveitando esta manhã livre para ficar com meus filhos. À tarde, vou ter que abrir a sorveteria, comentou Josué, que é casado com Gilma e pai também da Andressa, 3 anos.
Mas nem todas as crianças encontradas pela reportagem da Folha estavam brincando com seus familiares. Um grupo de seis meninos e adolescentes liderado por Wesley, 15 anos, e Fernando, 14 chegou logo cedo ao ponto de mendicância, no cruzamento da Avenida Juscelino Kubitscheck com Rua Pernambuco (área central). Vindos da zona norte, no semáforo eles abordam os motoristas em busca de alguma moeda, doce ou brinquedo usado. Nem sabia que hoje é o Dia das Crianças, afirmou Fernando.
A direção da Hospital Infantil que pertence à Irmandade da Santa Casa encontrou uma maneira carinhosa de diminuir a tristeza dos 21 pequenos pacientes internados no setor de pediatria, neste dia tão especial para eles. Organizou um show artístico com a presença de um coral de jovens do Colégio Mãe de Deus e de três funcionários um moço e duas moças vestidos de palhaços.
Com as músicas, acompanhadas por violões, e as brincadeiras dos palhaços, o ambiente ficou bastante descontraído. Em pouco tempo as crianças já estavam sorrindo alegremente. Lucas Mesquita, 6 meses, Ivan Henrique Ribeiro, 2 anos, e Brenda da Silva, 4 anos, eram os mais animados, chegando a trocar beijos com os palhaços. Todos receberam brinquedos e doces de presente.
O Dia das Crianças passou assim em Londrina brancas e tranquilas nuvens de primavera. Exatamente como elas merecem que sejam todos os dias do ano. Pena que acabou rápido. Hoje já é outro dia. A vida de todos voltou ao normal.Sem grandes festas, pais e filhos aproveitaram o data para desfrutar dos momentos de lazer em locais públicos
Josoé de CarvalhoALEGRIAO menino Lucas, no colo da mãe, recebe a visita de palhaços no Hospital Infantil: remédio contra tristezaFotos: Josoé de CarvalhoMeninos e adolescentes (acima), que chegaram cedo ao ponto de mendicância, nem sabiam que ontem era o Dia da Criança; ao lado, crianças brincam no Zerão e, abaixo, pais aproveitam o dia na companhia dos filhosDIA ESPECIAL





