Feriado causa transtorno para pais
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 21 de novembro de 2013
Érika Gonçalves<br> Reportagem Local 
Érika Gonçalves
Reportagem Local
Londrina - O cancelamento do Feriado do Dia da Consciência Negra trouxe transtornos para quem precisou trabalhar e não sabia com quem deixar os filhos, já que escolas municipais e estaduais, além de algumas particulares, ficaram fechadas ontem. Ao todo, Londrina conta com 163 escolas municipais, entre unidades de ensino fundamental e centros de educação infantil, tanto municipais quanto filantrópicos; e 71 escolas estaduais.
No Jardim União da Vitória, zona sul, muitas crianças brincavam em frente às casas na manhã de ontem, um reflexo da falta de aulas. Algumas mães precisaram apelar para vizinhos ou familiares para poderem ir para o trabalho. A dona de casa Gislaine Cristina Batista costuma vender cocadas para aumentar a renda familiar, mas precisou ficar em casa para cuidar dos dois filhos pequenos e da sobrinha de sete anos, já que sua irmã não tinha com quem deixar a menina.
"Elas moram lá no (Residencial) Vista Bela (zona norte) e a minha irmã precisou trazer a menina ontem a noite aqui para casa, porque ela não podia faltar ao trabalho. Já eu deixei de sair para fazer minhas vendas, porque também não tinha com quem deixar os meus filhos. Com certeza tem um monte de gente que precisou fazer isso hoje", comentou.
A operadora de caixa Andressa Sales também teve dificuldades para poder trabalhar. Funcionária de um supermercado, esperava ansiosa pela chegada da babá da filha caçula de um ano, que ficaria responsável por cuidar também da mais velha, de 4 anos, que não pôde ir para a escola.
"Tive que pagar a mais para essa eventualidade, mas o problema é que até agora ela não chegou e não sei o que aconteceu. Como ela cuida de outra criança, não sei se a outra mãe também deixou mais algum com ela. Com certeza esse meio feriado atrapalhou porque meu marido também precisou trabalhar e não pôde ficar com as meninas", lamentou.
Alívio
Na escola O Peixinho, na área central, as atividades transcorreram normalmente. Com alunos a partir de 1 ano de idade, a diretora Márcia de Carvalho conta que os pais ficaram aliviados com a não paralisação das atividades. "Toda vez que o comércio abre e a escola fecha, causa problema para as mães, já que elas trabalham. Desde o início da semana os pais estavam ligando e perguntando se haveria atividades ou não. Entendemos que se o feriado foi cancelado, todos vão trabalhar. Respeitamos o dia (da consciência negra) mas respeitamos também as mães que precisam trabalhar", justificou.
Segundo Márcia, todas as salas de aulas estavam cheias e os alunos prosseguiram com o conteúdo habitual, mesmo com o dia não programado no calendário escolar. "A escola sempre tem o que ensinar", destacou.
O Colégio Sesi também manteve as aulas, tanto para o ensinos Infantil e Fundamental quanto para o Médio. Valdemir Fório, pai de dois alunos do colégio, um de 4 anos e outro de 17, conta que a sala do pequeno parecia estar normal, mas o filho adolescente tinha telefonado logo cedo e dito que estava sozinho em sala de aula.
"Ele também frequenta o Senai e não terá aulas hoje (ontem) à tarde. Mas ainda bem que teve aula porque senão teria que ir atrás de algum parente para ficar com o caçula. Eu não sabia se haveria aula ou não mas resolvi arriscar e trazê-lo, já que tanto eu quanto minha esposa estamos trabalhando", contou.
A direção do colégio não quis passar informações sobre os alunos e as atividades desenvolvidas. A reportagem tentou contato com a gerência de Educação, em Curitiba, mas não obteve retornou até o fechamento da edição.


